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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Desempenho Escolar e Saúde Ocular: queixas comuns na infância e na adolescência

Baixo rendimento e desinteresse pelos estudos podem ser sinais de alerta para pais e professores

Pode demorar um tempo, talvez meses ou um semestre, para que crianças e adolescentes apresentem queixas e sintomas oculares, como dor e/ou coceira, dor de cabeça, e dificuldade para enxergar. A atenção principal fica por conta do diagnóstico, que depende da faixa etária. “As crianças menores nem sempre sabem explicar e o problema pode passar despercebido e refletir no rendimento escolar, mas entre os adolescentes já é mais fácil porque conseguem se expressar”, explica o oftalmologista Marcello Netto, Doutor em Oftalmologia pela Universidade de São Paulo (USP) e Pós-Doutorado em Ciências Visuais pela The Cleveland Clinic Foundation (EUA).

Problemas de refração podem surgir com o início da vida escolar, é durante a infância que a visão se desenvolve, nessa fase, algumas crianças podem apresentam problemas como estrabismo, ambliopia (“olho preguiçoso”). Além disso, com o início da vida escolar podem surgir doenças oculares que influenciam no aprendizado da criança, causando baixo rendimento. Conhecidos como “grau”, os erros refrativos são a causa mais comum de deficiência visual na infância, nestes se incluem a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2050, 50% das pessoas serão míopes, sendo as crianças as vítimas em potencial no futuro; hoje, já há uma epidemia entre os jovens. “Não precisamos demonizar os aparelhos eletrônicos, os celulares ou a internet, mas é preciso precaução, prevenção e limites. A aprendizagem escolar também está relacionada com a saúde dos olhos e uma deficiência, como a miopia, pode interferir no rendimento escolar e no futuro dos alunos desde a infância”, alerta Marcelo Netto.

Prevenção é o melhor caminho para evitar que danos irreversíveis se instalem na infância. A Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica sugere que o primeiro exame deve ser realizado pelo pediatra, antes da alta da maternidade (teste do olhinho). Após, um exame oftalmológico completo deverá ser realizado a cada 6 meses durante os dois primeiros anos de vida. Nas crianças normais, um exame anual completo deverá ser realizado até o completo desenvolvimento da visão, isto é, até os 10 anos de idade.

A fadiga ocular é outro fator que pode ter relação com o desempenho dos alunos. A reclamação mais constante é de olhos cansados, dor de cabeça e visão embaçada, porque necessita mais esforço para enxergar a lousa, ler textos e livros. “A dificuldade para enxergar pode ser consequência de um astigmatismo não diagnosticado ou mesmo de horas extenuantes frente aos celulares e tablets”, constata o oftalmologista.

Os professores são grandes aliados dos pais nesta fase, podendo observar se a criança ou o adolescente está coçando os olhos seguidamente, se está disperso e desinteressado, e com baixo rendimento escolar.

Segundo Dr. Marcelo, os aparelhos eletrônicos por si só não causam problemas oculares, desde que se faça o uso adequado deles e que alguns cuidados básicos sejam tomados, tais como: “manter uma distância de conforto da tela, sendo recomendado pelo menos 30 centímetros em celulares e 50 centímetros em tablets e computadores. Manter o ambiente externo iluminado e fazer intervalos de descanso para os olhos, olhando para longe ou fechando os olhos a cada 50 minutos. Usar colírios lubrificantes ao sentir ressecamento ocular após longos períodos de fixação na tela, especialmente em ambientes com ar condicionado. As atividades ao ar livre também são recomendadas para o desenvolvimento normal do olho nesta fase”, declara o médico.

Uma avaliação oftalmológica é indispensável para o diagnóstico e tratamento adequado. A prescrição de óculos, orientações gerais e tratamentos diversos só poderão ser realizados pelo especialista. 

Fonte para entrevistas: Marcelo Netto - Doutor em Medicina, com concentração em Oftalmologia pela Universidade de São Paulo (USP), Pós-Doutorado em Ciências Visuais pela The Cleveland Clinic Foundation (EUA), Fellowship Clínico na University of Washington (EUA). Atualmente, é médico assistente do Hospital das Clínica e Pesquisador Colaborador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.


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