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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Grupo de Trabalho Perus identifica restos mortais do militante político

Pela primeira vez desde o início das suas atividades, o Grupo de Trabalho Perus (GTP) concluiu a identificação de uma das vítimas encontradas na vala clandestina no Cemitério de Perus, em São Paulo. As análises permitiram a confirmação da identidade de Dimas Antonio Casemiro, morto em abril de 1971 por agentes de repressão política do regime militar.

A confirmação definitiva foi concluída no dia 16 de fevereiro, após o GTP ter recebido os resultados de exames de DNA extraídos da primeira remessa de amostras biológicas enviadas para análise genética à International Commission on Missing Persons (ICMP), entidade internacional com sede em Haia, na Holanda, e que atua como parceira do Grupo. Os resultados indicaram vínculo genético entre os restos mortais pertencentes a um dos casos enviados e as amostras sanguíneas dos familiares de Dimas.

O laudo genético foi trazido pessoalmente ao Brasil pelo Diretor de Ciência e Tecnologia da ICMP, Dr. Thomas Parsons, que se reuniu com o coordenador científico do GTP, Dr. Samuel Ferreira, e equipe de peritos no Brasil para análise do caso. A identificação genética foi então confirmada pelos estudos antropológicos, odontológicos e informações ante-mortem de Dimas Antônio Casemiro, relativas à altura, idade, dentição e ao trauma por ação de projétil de arma de fogo.

“Com esse resultado, o GTP e as entidades que o compõem apresentam resposta concreta à sociedade e especialmente aos familiares de mortos e desaparecidos políticos, os quais, no caso da família de Dimas, poderão finalmente render-lhe honras funerárias e encerrar dignamente o seu processo de luto”, afirma a procuradora Eugênia Gonzaga, presidente da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). Por solicitação dos familiares, suas identidades e contatos serão preservados.

Sobre o Grupo de Trabalho Perus (GTP)

O GTP foi instituído em 2014 para analisar os restos mortais encontrados em 1990 no local que ficou conhecido como vala clandestina de Perus, no Cemitério Dom Bosco, zona Norte de São Paulo. Acredita-se que as pessoas ali enterradas sejam desaparecidos políticos, vítimas da repressão durante a ditadura militar. Fazem parte do Grupo de Trabalho o Ministério dos Direitos Humanos, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), criada pela Lei 9.140/95.

Sobre o militante identificado

Dimas Casemiro atuou no movimento estudantil de Votuporanga, sua cidade natal, até que se mudou para São Paulo e passou a militar na Ala Vermelha. Posteriormente, participou da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares) e do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), do qual foi dirigente. Nos termos dos relatórios da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Dimas Antônio Casemiro foi morto entre 17 e 19 de abril de 1971, alvejado por arma de fogo em tiroteio simulado – mesmo método utilizado em vários outros casos. A CEMDP concluiu ainda que Dimas foi torturado entre os dias 17, data em que foi supostamente alvejado, e o dia 19, data do exame da necropsia, desmentindo a versão oficial de “morte em tiroteio”. Desde então, seu corpo estava desaparecido.

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