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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Igreja do Bonfim reabre Museu dos Ex-Votos e permite acesso à torre


Com um acervo formado por objetos com até 300 anos de história, equipamento foi requalificado e reentregue a fiéis e turistas

A Basílica Santuário do Senhor do Bonfim é a primeira igreja do Brasil a abrir sua torre para visitação pública. O acesso será permitido a partir desta sexta-feira (16) com a reabertura do Museu dos Ex-Votos (Museu Rubens Freire de Carvalho de Tourinho), que funciona dentro do templo mais famoso da Bahia e que oferece obras da Primeira Escola Bahiana de Pintura, Esculturas, milagritos, imagens sacras, alfaias e inúmeros outros artigos doados à igreja ao longo de três séculos.

O museu, com mais de duas décadas, passou por um processo de requalificação conduzido pela museóloga e professora da Universidade Federal da Bahia, Genivalda Cândido da Silva e  pelo museólogo e especialista em arte sacra, Cássio Bêribá. Segundo Genivalda, o trabalho envolveu uma triagem cuidadosa de todo o acervo, permitindo aos visitantes que possam ter uma compreensão melhor das peças em exposição. O acervo é formado por objetos que representam graças alcançadas (pagamento de promessas/milagres), desobriga e doações de fiéis. “São três ambientes: a sala dos milagres, o salão de artes sacras e as alfaias (paramentos litúrgicos). Além destes, a visita permite a aproximação do altar-mor e, a grande novidade, dá acesso à torre da igreja”.

O juiz da Devoção do Senhor do Bonfim, Francisco Pitanga, afirma que a Basílica Santuário é o primeiro templo do Brasil a abrir sua torre para visitação. “A igreja do Bonfim já é referência do turismo religioso no País e o principal templo da Bahia. O objetivo é fazer com que o museu seja referência de visitas e pesquisas. É cobrada uma taxa de R$ 5 que ajuda aos projetos sociais, como o Bom Samaritano e outros que trabalham com pessoas carentes”.

Turismo religioso

Pitanga ressalta a importância da Igreja do Bonfim para o turismo religioso da Bahia, inclusive com a requalificação da Praça do Bonfim e construção do Caminho da Fé – entre a Igreja de irmã Dulce, no Largo de Roma e a Basílica – que foram anunciados pela Prefeitura de Salvador e a manutenção técnica, realizada com recursos do Governo do Estado. “A abertura da torre é inédita no Brasil. O visitante terá uma visão 360° da região entre a Baía de Todos os Sntos, Península de Itapagipe, bairro do São Caetano e Avenida beira Mar”.

A visita à torre será acompanhada por estagiários de Museologia e funcionários da Igreja, sendo só permitido o acesso de três pessoas de cada vez. São 55 degraus em madeira. O fôlego da subida compensa com o visual maravilhoso. Pitanga lembra que foi a Devoção do Senhor do Bonfim a responsável pelo desenvolvimento dos bairros do entorno da Igreja, construindo a Avenida Dendezeiros e outros equipamentos. “A história da Igreja começa em 1746, levando 26 anos para ficar pronta. Os romeiros acessavam de barco e muitos dormiam ao relento até que a Devoção construiu a Casa dos Romeiros (ao lado da igreja) para abrigá-los”.

O Espaço Casa dos Romeiros atualmente funciona como ponto de apoio turístico, com loja de artigos religiosos, o Santo Café e o Restaurante e Espaço de Artesanato Vila Criativa. Em breve, será inaugurado no local uma extensão do Museu dos Ex-Votos, a Sala dos Milagres, que funcionará na Casa 28.

Acervo

Além das pinturas da primeira escola baiana, doadas a partir de 1836 por José Teófilo de Jesus, os visitantes encontrarão pela frente obras de arte que remontam três séculos de história, com peças em ferro, prata, ouro, bronze, madeira e parafina. As alfaias (paramentos litúrgicos) mostram a tradição das missas católicas. Genivalda Cândido observa que o órgão de tubos foi doado por franceses em 1854 e ainda hoje funciona em datas importantes. “A visita permite uma visão contemplativa do altar-mor, dando ainda a oportunidade de elevação espiritual diante de todo um acervo relacionado à religião”

Entre as peças, ela destaca uma bala - retirada de um sobrevivente, espadas, patentes militares, milagritos (braços, pernas, olhos e outros) em materiais como ouro, prata, broze e ferro, bíblia bizantina, relicários, concha batismal em madrepérola e imagens de santos como Santo Expedito, São Jorge, Santa Terezinha, Nossa Senhora das Rosas, Nosso Senhor do Bonfim dentre outros.

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