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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Workshop debate estratégias para atendimento de mulheres vítimas de violência



Promover um espaço de debate entre profissionais que compõem os serviços de atendimentos às mulheres em situação de violência e egressas do tráfico de pessoas, criando, a partir disso, estratégias para atendê-las integralmente. Esse foi o objetivo do workshop “Definindo Papéis”, organizado pela Secretaria Municipal de Politicas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ) nesta terça-feira (7), no hotel Monte Pascoal, na Barra. 

O evento acontece bem no dia em que a Lei Maria da Penha (11.340/06), que tornou mais rigorosa a punição para agressões contra a mulher quando ocorridas no âmbito doméstico e familiar, completa 12 anos de sancionada pelo governo federal. A programação do encontro foi aberta pela titular da SPMJ, Cristina Argiles. Ela destacou que a Maria da Penha foi um marco na história do país, embora ainda haja necessidade do fortalecimento de ações efetivas para diminuir os índices de violência contra a mulher. 

“A lei Maria da Penha já salvou várias vidas, mas, infelizmente, a nossa cultura ainda é machista. Apesar dela e de toda rede que existe, ainda temos casos de feminicídios quase todos os dias. Então precisamos intensificar as políticas públicas”, salientou Argiles. “Imagina se a lei não existisse? Foi um ganho fantástico, mas ainda precisamos de medidas mais direcionadas e mais eficazes de combater esse machismo para que esse ciclo se reverta. Só então veremos esses indicadores diminuírem”, completou. 

O Centro de Referência de Atendimento à Mulher Loreta Valadares (CRLV), nos Barris, e o Centro de Atendimento à Mulher Soteropolitana Irmã Dulce (Camsid), na Ribeira, também foram pauta do encontro. A plateia tomou conhecimento dos serviços oferecidos por essas unidades, com destaque para a que fica na Cidade Baixa. 

O Camsid, inaugurado em abril passado, é um equipamento pioneiro no Brasil por conter, em numa mesma área, um centro de referência e uma casa de acolhimento de curta duração. Lá, são oferecidos suporte jurídico e psicossocial, bem como atividades de empreendedorismo, dança, informática, grupo terapêutico, defesa pessoal, oficinas produtivas, ginástica e até atendimento de enfermagem para as acolhidas.

A diretora de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, da Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres (SPM), Eliana Guerra, esteve presente no workshop e levou os convidados a refletirem sobre os altos índices de violência contra a mulher, mesmo com avanço na legislação.  

“Como todo aniversário é um tempo de reflexão, minha fala vai ser nesse sentido. Ela (a lei Maria da Penha) fez uma mudança radical ao começar a criminalizar a violência contra a mulher, mudando o Código Penal. Como desdobramento dela, foi sancionada a lei do feminicídio, em 2016. Por que, então, os números não decrescem? O Brasil hoje é o quinto em índice de violência contra a mulher, e temos uma das três melhores legislações no mundo. Perdemos apenas para Espanha e Chile”, apontou Eliana Guerra.

“É em cima desse questionamento que a SPM tenta se organizar para propor ações novas em cima da organização do serviço da nossa rede. Também é preciso investir massivamente na educação. A escola precisa estar envolvida nessa mudança de cultura para, quem sabe, daqui a 10, 20 anos possamos ter algum resultado”, acrescentou. Eliana também disse que o número de denúncias de violência contra a mulher tem sofrido retração e pediu reforço para divulgação do Ligue 180 - canal direto de orientação sobre direitos e serviços públicos para a população feminina em todo o país. “Sem denúncia não há crime e não podemos direcionar políticas para um determinado estado, município”, finalizou.

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