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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Escavações na Avenida Sete podem encontrar restos de muro da cidade


A primeira fase das obras de requalificação da Avenida Sete de Setembro e da Praça Castro Alves, iniciada na semana passada pela Prefeitura, envolvem o resgate de parte importante da história da cidade. Todo o trecho, que se inicia na Casa D´Itália e segue até a praça da estátua do poeta vai ser alvo de prospecções arqueológicas. A expectativa é que as escavações culminem em achados de itens e de elementos históricos que poderão contribuir para a produção de novos conhecimentos.“É a primeira vez que esse trajeto passará por esse procedimento. 

Haverá a oportunidade de conhecer muito mais da história da cidade, e o que se poderá produzir de conhecimento é algo que não dá nem para mensurar”, afirma o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Bahia, Bruno Tavares. “A Avenida Sete e e a Rua Carlos Gomes faziam ligação entre a antiga Vila Pereira e Salvador. e o centro administrativo da cidade, na Praça Municipal. Podemos encontrar vestígios de muralhas da época da fundação, próximos à Praça Castro Alves. Fora que ali também é uma zona onde aconteceram as principais manifestações culturais e revoltas”, acrescenta Tavares.

O Iphan é o responsável pela emissão da outorga que permite que as pesquisas arqueológicas por prospecção amostral sejam feitas conforme a metodologia predefinida pelo Consócio Nova Avenida Sete, responsável pelas obras. Mesmo após essa etapa, os profissionais acompanharão in loco as escavações, conforme determina a Lei Federal 3.924/61.

Tudo o que for encontrado deverá ter como destino centros de estudo ou os museus da cidade, ficando à disposição do público para visitação. “Na Avenida Sete, em especial, tem a questão do alargamento das vias realizadas pelo governador José Joaquim Seabra, que assumiu o estado pela primeira vez em 1912. 

Parte de edificações no lado direito da via, no sentido Praça Castro Alves, foi demolida, assim como a Igreja de São Pedro (ficava na área onde hoje está o atual Relógio de São Pedro)”, explica Tavares. Por isso, o superintendente do Iphan não descarta a possibilidade de que sejam encontrados na Avenida Sete, durante as sondagens, fundações de casas, pedaços de cerâmica, de tijolos e de azulejos. 

A equipe de arqueólogos que vai a campo realizar prospecções fará escavações pontuais, em lugares com maior potencial arqueológico, levando em conta as características do projeto. “Não haverá trincheiras escavadas em todo o percurso. 

Será feito amostragem de acordo com potencial arqueológico. As sondagens previstas para ocorrer ali não devem ultrapassar a vala única que receberá as fiações embutidas. Eventualmente, quando se encontra algo com relevância histórica, é aprofundada ou alargada a prospecção”, explica Bruno Tavares.

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