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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Fundação Pierre Verger leva exposição para Museu da Fotografia Fortaleza

A mostra “Orixás” contará com recurso de acessibilidade para deficientes visuais | Foto: Shango, Ifanhin, Benin. Crédito: Foto Pierre Verger © Fundação Pierre Verger

Composta por dezenas de fotos de Pierre Verger, está aberta a exposição “Orixás” no Museu da Fotografia Fortaleza, na capital cearense. A mostra é parte das ações comemorativas dos 30 anos da Fundação Pierre Verger, que funciona na mesma casa em que o fotógrafo Pierre Fatumbi Verger viveu durante anos, na Ladeira da Vila América, em Salvador. Com curadoria de Alex Baradel, responsável pelo acervo fotográfico da Fundação, a mostra traz 65 obras do artista autodidata que dedicou grande parte de seu trabalho ao candomblé, especificamente no candomblé Nagô-Ketu, e aos Orixás, deuses cultuados na religião afro-brasileira, cujas matrizes provêm de diversas regiões do continente africano.

A mostra, inaugurada no último dia 12 no Museu da Fotografia Fortaleza, indica como Verger revelou esta cultura e religiosidade para o mundo e destaca obras que apresentam cerimônias e características de cada orixá, além dos arquétipos da personalidade de devotos de cada divindade. “Orixás” ainda conta com ação tecnológica voltada para acessibilidade, através da qual deficientes visuais podem ter acesso à descrição de áudio sobre as obras, por meio de leitura de QR Code em dispositivos móveis.

Verger recebeu o nome de Fatumbi, “nascido de novo graças ao Ifá”, na África, para onde realizou diversas viagens entre os anos de 1948 a 1978, tornando-se um importante mensageiro entre a Bahia e a região do Golfo do Benim. “Até hoje, a obra de Verger constitui-se em uma inigualável fonte de informações sobre os cultos afro-brasileiros e revela elementos sobre as suas raízes africanas. O livro e a exposição “Orixás”, além do conhecimento, traz a poesia e criatividade plástica de Fatumbi, que, nesse contexto religioso, sabia o que fotografar, como fotografar e como apresentar, ou não, as imagens produzidas. As obras vivem em um lugar onde a imagem flutua entre o informativo e o poético, oferecendo, além da descoberta de uma religião e das suas raízes, uma viagem a um mundo onírico”, explica o curador Alex Baradel.

Foto: Cerimonia Nagô, Ouidah, Bénin. Crédito: Foto Pierre Verger © Fundação Pierre Verger
O artista foi um dos primeiros autores a destacar as influências culturais e religiosas recíprocas, tanto a das tradições africanas na Bahia, notadamente através do candomblé, quanto as da Bahia na África, por meio do retorno de brasileiros afrodescendentes, livres da escravização que, ao irem à terra de seus antepassados, levaram consigo conhecimentos culturais adquiridos no Brasil como as festas Bumba Meu Boi, Festa do Bonfim e influências na arquitetura.


Pierre Verger
Pierre Edouard Léopold Verger (1902-1996) foi um fotógrafo, etnólogo, antropólogo e pesquisador francês que viveu grande parte da sua vida na cidade de Salvador, capital do estado da Bahia, no Brasil. Ele realizou um trabalho fotográfico de grande importância, baseado no cotidiano e nas culturas populares dos cinco continentes. Além disto, produziu uma obra escrita de referência sobre as culturas afro-baiana e diaspóricas, voltando seu olhar de pesquisador para os aspectos religiosos do candomblé. Desembarcou em Salvador, na Bahia, em 1946, enquanto a Europa vivia o pós-guerra logo foi seduzido pela hospitalidade e riqueza cultural que encontrou na cidade. Como fazia em todos os lugares onde esteve, preferia a companhia do povo e dos lugares mais simples. Os negros, em imensa maioria na cidade, monopolizavam a sua atenção. Além de personagens das suas fotos, tornaram-se seus amigos, cujas vidas Verger foi buscando conhecer com detalhes. Quando descobriu o candomblé, acreditou ter encontrado a fonte da vitalidade do povo baiano e se tornou um estudioso do culto aos orixás. Esse interesse pela religiosidade de origem africana lhe rendeu uma bolsa para estudar rituais na África, para onde partiu em 1948. A intimidade com a religião, que tinha começado na Bahia, facilitou o seu contato com sacerdotes e autoridades e ele acabou sendo iniciado como babalaô - um adivinho através do jogo do Ifá, com acesso às tradições orais dos iorubás. Além da iniciação religiosa, Verger começou nessa mesma época um novo ofício, o de pesquisador, através do Instituto Francês da África Negra (IFAN). Apesar de ter se fixado na Bahia, Verger nunca perdeu seu espírito nômade. A história, os costumes e, principalmente, a religião praticada pelos povos iorubás e seus descendentes, na África Ocidental e na Bahia, passaram a ser os temas centrais de suas pesquisas e sua obra. Ele passou a viver como um mensageiro entre esses dois lugares: transportando informações, mensagens, objetos e presentes. Como colaborador e pesquisador visitante de várias universidades, conseguiu ir transformando suas pesquisas em artigos, comunicações e livros. Em 1960, comprou a casa da Vila América. No final dos anos 70, ele parou de fotografar e fez suas últimas viagens de pesquisa à África.


Sobre o Museu da Fotografia Fortaleza
Inaugurado no dia 10 de março de 2017 com a coleção Paula e Silvio Frota, o Museu da Fotografia Baiana (MFF) recebe cerca de 3 mil visitantes por mês, que podem conferir dois andares de acervo fixo, além de mais outro que recebe exposições temporárias. Compreendendo sua função social para além do espaço expositivo, os projetos Museu na Comunidade e Museu no Interior já visitaram diversas comunidades da capital e do interior (Maracanaú, Jericoacoara e Redenção), tornando mais acessíveis teoria e prática fotográfica. Além disso, o equipamento realiza uma série de ações que têm como objetivo a divulgação de novos talentos e a promoção da fotografia contemporânea a partir da realização de cursos e visitas guiadas para a terceira idade e de oficinas e workshops voltados a artistas, estudantes e educadores – resultado, inclusive, da proximidade da instituição junto às Secretarias de Cultura (Secult), de Turismo (Setur) e de Educação do Estado (Seduc), e às Secretarias Municipais da Educação (SME), de Turismo (Setfor) e de Cultura de Fortaleza (Secultfor). O MFF também possui uma equipe de monitoria formada pelos alunos dos cursos de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade de Fortaleza (Unifor), Pedagogia da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), Artes Visuais do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e do curso de Fotografia do Porto Iracema das Artes.


“Orixás”
Visitação
: 12 de janeiro a 12 de maio, de quarta-feira a domingo
Horário: 12h às 17h Onde: Museu da Fotografia Fortaleza, rua Frederico Borges, 545 – Varjota Entrada gratuita

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