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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Agricultor familiar de Banzaê é referência em cajucultura no Semiárido Nordeste II

Exercendo a cajucultura como principal atividade, José Macedo, mais conhecido como seu Almeida, é um dos agricultores familiares filiados à Cooperativa de Agricultores Familiares da região de Banzaê, Euclides da Cunha e Quijingue (Cooperbeq), instalada na comunidade Queimada Grande, município de Banzaê. Com muito trabalho e colocando em prática os conhecimentos adquiridos pela assistência técnica e extensão rural (Ater), tornou a sua propriedade referência na produção de caju no Território de Identidade Semiárido Nordeste II. 

A Cooperbeq é vinculada à Rede da Cooperativa dos Cajucutores Familiares do Nordeste da Bahia (Cooperacaju) e está sendo atendida com investimentos do Governo do Estado, por meio do Bahia Produtiva, projeto executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR). A ação prevê desde assistência técnica na base produtiva, quanto à requalificação e adequação das unidades de beneficiamento das castanhas de caju, até assessoria na gestão dos empreendimentos vinculados à rede.  Com os investimentos será possível adequar as estruturas das cooperativas filiadas, beneficiando com melhores condições de trabalho as pessoas que exercem a atividade de beneficiamento da castanha, e qualificando a produção. 

“Tivemos a alegria de receber na Cooperbeq quatro mil mudas de cajueiro resistentes ao clima, a pragas e doenças, que para nós vai ser de uma grandiosidade sem tamanho. Vamos ter um resultado muito positivo no futuro, com um cajueiro precoce, de fácil acesso para trabalhar, inclusive para pulverizar. Terminando esse projeto o nosso objetivo é dar continuidade a tudo que nós aprendemos. É maravilhoso tudo isso que está acontecendo e oportunizando a agricultura familiar”, ressalta José Macedo. 

O agricultor, que é um dos fundadores da Cooperacaju, atualmente recebe acompanhamento técnico de um Agente Comunitário Rural (ACR). Ele produz o caju consorciado à pastagem para alimentação animal, principalmente de bovinos, e cultiva ainda mandioca e feijão, como culturas secundárias, além de desenvolver outras culturas de ciclos curtos como hortaliças e frutíferas, como laranja e banana, que vende para a comunidade e na feira agroecológica local. 

Na propriedade, que é referência na produção de caju em sequeiro e está dentro do projeto para a certificação orgânica, já foram realizadas atividades de intercâmbio com outros produtores da cooperativa, que abordam questões como a de tratos culturais e plantio, podas e substituição de copa, distribuição de mudas, enxertia. Nos encontros, os agricultores são orientados ainda em questões como a não utilização de defensivos químicos. Na ação está incluído ainda o monitoramento de pragas e doenças. 

Elienai Trindade, técnica responsável pela base produtiva e acompanhamento dos ACRs, reforça que José Macedo é um produtor bastante comprometido, que segue as orientações técnicas. Ela observa que, a partir da realização de atividades de campo e de um acompanhamento contínuo junto aos cooperados, está sendo possível avançar, apesar de depender da atitude de cada um dos cajucultores: “O resultado é algo que não vem da noite para o dia, mas seguindo com foco estamos conseguindo avançar. No último, muitos já fizeram podas e enxertia. É um trabalho de formiga, com cada cooperado temos uma forma de trabalhar. É cultural a questão da cajucultura como extrativismo”.

De acordo com o presidente da Cooperacaju, Ícaro Rennê, a partir do Bahia Produtiva a cooperativa teve a oportunidade de contratar uma equipe técnica composta por uma engenheira agrônoma e dois ACR’s, responsáveis por acompanhar os agricultores no campo, fazendo o acompanhamento social da família, verificando documentação e outras questões legais da propriedade e, com base nessas informações, prestam assistência técnica, não só na produção do caju, que é principal entre os cooperados, mas também na de hortaliças e criação de animais, entre outras culturas. 

“Essa assistência técnica está dando resultados. Na safra de 2019/2020 nós tivemos agricultores que se destacaram. Os cajueiros passavam a maior parte do tempo sem produzir por deficiências nutricionais, ou por questões de pragas e doenças. Temos o exemplo do agricultor José Macedo, que tinha muita dificuldade de produzir e hoje é um destaque na região de Banzaê, por ter cajueiros bem produtivos, das 40 mil mudas que foram distribuídas pelo Governo do Estado, por meio da CAR/SDR e Superintendência da Agricultura Familiar (Suaf/SDR) e as plantas estão resistentes e produtivas, porque a assistência técnica veio para ensinar a combater pragas, doenças, e a fazer as podas e adubação corretas, com a utilização de produtos que têm nas propriedades, como a cinza proveniente das podas dos cajueiros”, destaca o presidente da Cooperacaju.

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