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terça-feira, 10 de março de 2020

“Sonhei em conseguir pagar as minhas dívidas, mas foi só sofrimento e humilhação”, diz empregada doméstica sobre o Carnaval

Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Salvador, 16,5 milhões de pessoas circularam pelas ruas, a ocupação hoteleira teve uma média de 95% e 86 mil turistas estrangeiros também curtiram a folia de momo. 

O Carnaval nos bairros reuniu mais de 1 milhão de pessoas promovendo diretamente a geração de emprego e renda na cidade, mas na contramão de toda a especulação, efusividade e correria atrás do trio elétrico, gente como Ivana Priscila Santana, empregada doméstica de 33 anos, não tem lá grandes motivos para comemorar.

De folga durante os dias de festa, a doméstica viu ali uma chance de ganhar uma renda extra e pagar as suas dívidas como ambulante, mas o início de tudo já dava o tom de como seria o fim. Foram 5 dias dormindo na fila para pegar licença no valor de R$ 140,00 que lhe dá autorização para vender na avenida, no entanto, passado por esse sufoco noites piores lhe aguardavam. “Dormi todos os dias com minha filha de 19 anos, sem banheiro, vendo assaltos constantes, pânico, medo e correria “, disse.

Sem nenhuma estrutura da Prefeitura para garantia de higiene pessoal, Ivana e seus colegas se viam obrigados a pagar R$ 3,00 para tomar banho. “Compramos a cerveja por R$1,99 e vendemos três por R$ 10,00, ou seja, o lucro é de apenas R$ 2,00 de uma marca que o público não gosta e ainda desse baixo lucro temos que tirar para pagar o banho. Isso também dificultou muito nosso trabalho”, pontuou.

Questionada se volta no próximo ano para vender na festa, Ivana dispara: “Volto ano que vem com esperança de ganhar mais, pois esse ano meu lucro não chegou em R$ 2 mil reais. Isso não paga nem metade das minhas dívidas e todo desgaste que tive desde as dormidas para pegar licença até os 7 dias de puro cansaço na festa”, finalizou.

O vereador e economista Sílvio Humberto (PSB) critica o tratamento desumano dados aos ambulantes e a falta de uma gestão de distribuição justa de renda na folia. “A concentração de renda na festa é o verdadeiro retrato do que é Salvador. Democrático só em tese, pois para todos, é a alegria efusiva que domina as ruas da cidade.

O pulsar da população que faz a diversão de A a Z pulando atrás do trio elétrico, mas quando se coloca as cordas você já percebe que existe uma segregação. A desigualdade se dá na mesma velocidade que o racismo trabalha sem tirar férias. Essa concentração nada mais é que o reflexo fidedigno da cidade. Um verdadeiro mar de isopor na cor amarela que pula o Carnaval da cidade da música contrastando com a pigmentação da pele que é predominante no exercício da atividade de vendedor ambulante. Tem pessoas que estavam vendendo para terceiros e isso só demonstra o quanto isso é repartido, mas a fatia desse bolo gera praticamente um trocar dinheiro pela sobrevivência o que é totalmente diferente de lucro.

A liberdade comercial não existe o que se evidência com a imposição de se vender apenas uma marca que não oferece aos ambulantes nenhuma estrutura básica de trabalho. Essa é uma verdadeira parceria que passa longe do ganha x ganha”, finalizou.




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