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quarta-feira, 24 de junho de 2020

Comunidade da Trindade lidera movimento para ecoar a dor por mortes pelo Coronavirus


“Só o silêncio pode ecoar a nossa dor". Com esse apelo, está sendo lançada em Salvador uma campanha para chamar a atenção da sociedade para o número alarmante de mortes causadas pela Covid-19 e o descaso do governo brasileiro para lidar com o problema. A proposta foi gestada na Comunidade da Trindade, voltada para o apoio a moradores de rua da cidade, e abraçada por diversas organizações locais e nacionais, entre entidades ecumênicas, Igreja, comunidades de fé e movimentos populares 

De acordo com o manifesto do movimento, em pouco mais de um mês o Brasil saltou para mais de 50 mil mortes causadas pela pandemia do novo Coronavírus. “Paralelo aos números aterrorizantes de vidas perdidas, os brasileiros precisam enfrentar a crise política e econômica do país, que fragiliza as populações mais vulnerabilizadas.  O presidente minimiza de modo sistemático a gravidade do problema, incentiva e participa de aglomerações, demite ministros da Saúde sucessivamente e assume uma postura autoritária, insensível e antiética em dar invisibilidade aos mortos pela Covid-19”, diz o manifesto.  

Para Henrique Peregrino da Trindade, idealizador da iniciativa, o ato afirma com veemência a importância da vida humana não apenas diante da pandemia, mas também no contexto de desigualdades e injustiças sociais: “A intenção dessa campanha nasceu quando uma dor imensa se espalhou por nosso Brasil. O país geme e chora pela perda de tantos filhos antes do tempo, de maneira especial na pandemia, mas também pela morte precoce causadas pelo racismo, intolerância religiosa, fome, violências e balas perdidas.  Essa dor, gemido ou grito, já foi tanto escrita, declarada, publicada ou comentada, mas permanece no coração daqueles que perderam algum ente querido”, afirma.  

A campanha já vem produzindo resultados em vários estados do Brasil, e até mesmo em outros países. Pessoas escrevem o lema, registram o momento e compartilham em suas redes. “É uma grande emoção ver todas essas fotos. Percebo que corresponde a uma necessidade imensa de poder expressar uma dor que estava calada, presa profundamente dentro das pessoas. Essa dor precisava ser ecoada e campanha permitiu isso”, atesta Henrique. 

Na Comunidade da Trindade, localizada na Cidade Baixa (Av. Jequitaia), sede do projeto que objetiva melhorar a vida de moradores em situação de rua de Salvador, a escolha da NÃO-AÇÃO realizou-se de maneira pública e permanente. Na grande escada da Igreja da Ordem Terceira Santíssima Trindade, que abriga a comunidade, foi preparada uma tenda dentro da qual o dia todo, do nascer ao pôr do sol, ao menos uma pessoa estará sentada em silêncio, com os cartazes e faixas da campanha para dar sentido a sua presença e para que essa iniciativa se torne um grão de clamor neste país.



Participe



Todas as Igrejas, movimentos e pessoas podem participar da campanha. Basta escrever o lema "Só o silêncio pode ecoar a nossa dor", com a hashtag #SilêncioPelaDor, silenciar e postar nas redes sociais. Essa NÃO-AÇÃO pode ser feita em casa e em locais públicos, usando máscaras e seguindo as medidas de proteção e distanciamento. Também pode ser realizada através de faixas e cartazes nas entradas dos templos, organizações, associações e lares.



“É importante registrar, através de uma foto ou um pequeno vídeo silencioso e compartilhar nas redes públicas. Essa dor vai falar em silêncio e necessita chegar aos ouvidos de quem precisa ouvir a dor do povo, coordenar ações políticas conjuntas e responder a esse momento tão dramático do país”, enfatiza Henrique Peregrino da Trindade.



Além da Comunidade da Trindade de Salvador, estão na campanha CESE, Fórum Ecumênico ACT-Brasil, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs (CEBIC), Igreja Presbiteriana Unida, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Comunidade de Jesus, Centro de Estudos Bíblicos, Centro de Estudos e Ação Social, entidades do Movimento de Mulheres e as novas gerações de vida religiosa.

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