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sábado, 11 de julho de 2020

Neste domingo (12), live do Ilê Aiyê promove manifesto racial com música


Show busca arrecadar recursos para manutenção dos projetos sociais da entidade

As músicas do Ilê Aiyê sempre foram fonte de alegria e descontração, mas também via de protesto. Quando o bloco afro, primeiro do Brasil, desfila no Carnaval de Salvador, é momento de celebração, mas também é ato de resistência e luta por igualdade racial. As canções que contam a história da entidade irão embalar, neste domingo (12), a sua primeira live, batizada de Ilê Vivo. A transmissão começa 16h nos canais de Youtube da Macaco Gordo e do Ilê Aiyê.

Dirigida por Chico Kertész, apresentada pelo poeta James Martins e pelo ator baiano Sulivã Bispo no seu personagem Koanza Auandê, uma drag queen preta inspirada na atual secretária de cultura da Bahia Arany Santana, a live Ilê Vivo é uma realização da Associação Cultural Ilê Aiyê em parceria com a produtora Macaco Gordo, ITS Brasil, Agência Única, Forrest Digital e Caderno 2.

O encontro busca promover reflexões acerca do movimento antirracista que vem pautando o mundo nas últimas semanas, assim como arrecadar fundos para a manutenção dos projetos sociais do Ilê Aiyê. Juntos, as escolas Mãe Hilda, Band’erê e os cursos profissionalizantes promovidos pelo bloco já ajudaram a ressignificar a vida de mais de dez mil crianças e jovens de Salvador ao longo de mais de 20 anos.

Durante a live, o repertório será dividido por temáticas que inspiram diferentes momentos do show. A abertura, por exemplo, vai revisitar a fundação do bloco e seu impacto no Carnaval de Salvador. “Iremos lembrar de quando o Ilê foi para as ruas pela primeira vez, passando aquela mensagem: já se pode ser negro”, adianta o produtor e roteirista Chico Kertész.

Outras músicas irão passear pela trajetória do bloco e destacar o seu papel transformador na valorização da imagem e autoestima da mulher negra. A live vai chamar atenção para a veia educativa das canções do Ilê, que conscientizaram gerações, abordando questões raciais cruciais não contempladas em currículos escolares. 



“Depois que o Ilê passar”, “O mais belo dos belos”, “Separatismo não”, “Adeus bye bye”, “Negras Perfumadas”, “Linda Fêmea”, “Ilê se eu não gostasse de você” e “Deusa do Ébano” são alguns dos sucessos dos bloco presentes no repertório da live. As canções foram escolhidas pelos admiradores do Ilê, que puderam contribuir com a seleção musical da apresentação através da interação provocada pelo bloco nas redes sociais.

O show também traz à cena a contribuição social da entidade por meio dos seus projetos educativos. Estarão no palco alguns dos frutos desse trabalho, como os regentes da Band’Aiyê Mario Pam e Kehinde Boa Morte, o percussionista Helder Show e os vocalistas Iana Marucha e Juarez Mesquita, todos ex-alunos das escolas Mãe Hilda e Band’erê. De fora da Senzala do Barro Preto, virão depoimentos de outros artistas formados pela instituição e que levam na bagagem o legado de dignidade racial do bloco.

 “O Ilê é minha segunda pele”



O percussionista Helder René, mais conhecido como Helder Show, 40 anos, ingressou nas aulas da banda mirim do Ilê, hoje conhecida como escola Band’erê, quando tinha 10 anos. Hoje comemora trinta anos de relação com a instituição social e carnavalesca, onde ele estudou, cresceu, aprendeu sobre música e se fez percussionista, hoje integrante da Band’Aiyê, onde toca desde os 17 anos.

“Eu vim de uma história de um bairro de periferia, de negros, me lembro que eu perdia muito tempo na rua, ficava subindo e descendo, e eu digo que, se não fosse o Ilê Aiyê, eu acho que não estaria vivo hoje. Por isso, costumo dizer que o Ilê é minha vida, minha segunda pele e minha segunda casa, onde aprendi a tocar um instrumento e a me comover”.

Com o nome do Ilê Aiyê literalmente tatuado na pele, Helder lembra que já viajou diversos países com a Band’Aiyê e transmitiu o amor pela entidade às suas filhas, Dandara, 21 anos, e Dara Hellen, 7 anos. “Dandara é hoje uma mulher linda, estudou na Mãe Hilda e Band’erê, cantou e dançou com o Ilê, e minha caçula, de 7 anos, estuda nas duas escolas também. Minha família é Ilê”, realça ele.

Serviço:

ILÊ VIVO – Live do Ilê Aiyê

Dia: Domingo (12)

Horário: 16h

Canais: Youtube – Macaco Gordo e Ilê Aiyê

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