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sábado, 1 de agosto de 2020

Artigo: O machismo estrutural na PM-BA


Por Luiz Santos.


A Policia Militar da Bahia está completando  195 anos, quase dois séculos de existência,  e só depois de 165 anos,  os nossos governantes enxergaram que as mulheres eram capazes de entrar nas fileiras da PM, abriram os concursos e as nossas mulheres fizeram suas inscrições e entram por mérito na corporação, porque no passado muitos homens que integravam a PM não faziam nenhum concurso, bastava ser amigo de algum político, ter coragem de portar uma arma de fogo,  já eram considerados aptos a ingressar na corporação sem nenhum preparo, físico, psicológico, balístico, escolaridade era o menos importante, mas as coisas foram mudando para melhor, até que em Abril de 1990, nos deparamos com as  (Pfens ) Polícia Feminina nas ruas de algumas cidades da Bahia.  

Lembro-me  da   minha adolescência  quando vi pela primeira vez na minha querida Santo Antônio de Jesus,  algumas poucas mulheres fardadas  trabalhando no centro da cidade, algumas pessoas tinham um olhar de  desconfiança até por desconhecer, era algo novo na Bahia, muitos achavam  que as mulheres não eram capazes de usar uma arma de fogo na cintura, mas essa desconfiança não era só da população menos favorecida,  menos esclarecida  era também da alta sociedade machista do século XX,  esse pensamento machista  era quase que unanimidade entre muitos homens que faziam parte da corporação, desde soldados até  oficiais, mas o século XXI  chegou 30 anos completamos com a presença da mulher na Polícia Militar da Bahia, mas infelizmente   o machismo estrutural continua arraigado,  três décadas já se passaram   e não temos uma  coronel,  uma comandante de batalhão.

Pergunto,  durante este tempo  não formamos uma coronel por  falta de tempo, competência ou é o machismo estrutural impregnado no palácio de Ondina no  quartel dos aflitos ou na Secretaria de Segurança Pública da Bahia?

Ao longo da minha carreira de radialista,  já conheci muitos homens que eram subtenente, capitão, major e foram promovidos  e hoje são:  tenente-coronel ou coronel,  outros já estão na reserva por merecimento, mas ao longo da minha carreira não vi essa promoção para com as mulheres.  As estatísticas mostram que as mulheres estudam mais, se dedicam mais ao trabalho do que nós homens, e porque elas continuam sendo comandadas e não comandantes? Porque continuam ganhando menos?

Acredito que no dia que tivermos mulheres comandando teremos uma polícia mais humana e menos truculenta.

Recentemente comentava  no programa Levante a Voz da Rádio Sociedade News FM sobre o machismo estrutural na PM-BA, um tenente-coronel que conheci sendo capitão,  ligou e disse que não existe esse machismo, mas contra fatos não há argumentos, os números mostram,  pesquise e veja que  durante esses 30 anos, pouca mulheres foram  promovidas  e quantos homens foram promovidos? Só vou deixar de acreditar que não existe machismo na PM-BA no dia que tivermos uma comandante geral ou uma coronel pra os machões  baterem continência  para a mulherada.

Esse simples texto pode agradar uns poucos e desagradar  um número bem maior, mas eu não estou nem aí, é isso que penso e observo no meu dia a dia, nas minhas conversas com algumas mulheres PMs que afirmam que  isso ocorre mesmo, mas o machismo estrutural não dá voz,  e acaba sufocando muitos sonhos.

Avante mulheres vocês são capazes, vocês são guerreiras, vocês são estudiosas,  vocês estão aqui por méritos próprios e não por puxar saco de políticos, de quem está no alto escalão ostentando  suas estrelas no peito.


Por Luiz Santos

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