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sábado, 15 de agosto de 2020

Sarau com integrantes e familiares encerra a segunda edição do Festival NEOJIBA Encanta

De Michael Jackson a Caetano Veloso. De Michael Praetorius a Vanessa da Mata. A segunda edição do Festival NEOJIBA Encanta foi encerrada nesta quinta-feira, 13/8, com um sarau de repertório bem versátil. Integrantes, familiares e instrutores do NEOJIBA (programa social do governo da Bahia) participaram da apresentação, numa noite de celebração pelo sucesso do festival. 

Foram oito dias intensos de apresentações, conversas e oficinas sobre canto coral, além de atividades internas para os coros do NEOJIBA. Por causa da pandemia do coronavírus, os eventos foram online, com transmissão pelo Youtube e Facebook. Foram mais de sete mil visualizações e mais de 14 mil pessoas alcançadas. O evento foi organizado pelo diretor musical do NEOJIBA, Eduardo Torres, e pela coordenadora do Núcleo de Prática Musical Canto Coral, Lucie Barluet, com patrocínio da Halliburton e Wilson Sons.

Além do sarau, o festival promoveu dois recitais do Coro Juvenil, principal formação de canto coral do Programa, com peças de compositores italianos, alemães, franceses e brasileiros. Os integrantes gravaram os vídeos de casa, tendo que desviar dos barulhos da rua e da vizinhança. “Cada quadradinho desse, cada vídeo, é um trabalho de meses. É muito bom ver o resultado do esforço de cada um”, disse Paulo Arapuá, que cantou no segundo recital.

Mas nem só de apresentações musicais vive um festival. A programação do Encanta contou com cinco mesas-redondas, com convidados do Brasil e do exterior. Em dois desses encontros, a conversa foi sobre cuidados com a voz, com orientações de especialistas da área de saúde, como o otorrinolaringologista Luiz Henrique Barbosa,  a fonoaudióloga Renata Scarpel, o médico Lucas Silva, coordenador do setor de cabeça e pescoço do Hospital Aristides Maltez e o fonoaudiólogo Ricardo Mota, da Escola Bahiana de Medicina. Roseane Ferreira, do Coro Comunitário do NEOJIBA, agradeceu pelo “momento de aprendizado”. “Estou muito feliz por estar aprendendo dicas tão importantes para manutenção e cuidado vocal”. 

Para surpresa de muitos, um dos bate-papos mais concorridos foi sobre história da ópera na Bahia e suas perspectivas para o futuro. O diretor da Escola de Música da UFBA, José Maurício Brandão, contou durante o encontro que Salvador chegou a ter seis casas de ópera funcionando ao mesmo tempo em meados do século 19, e explicou os fatores que levaram ao declínio do gênero. Mas ele confia na retomada. “Ópera é possível, é necessária, é importante para a vida”. O maestro italiano Aldo Brizzi e Graça Reis, idealizadores do Núcleo de Ópera da Bahia, estão imbuídos nessa missão. Eles falaram sobre os projetos para quando a pandemia passar, como a estreia, em Paris, da ópera “Negro Amor”, com Gilberto Gil, que terá Graça e o cantor Josehr Santos, que também participou do debate, no elenco.  A cantora Eneida Lima acompanhou a conversa e comentou: “Saber da nossa história inspira para o futuro. Muito obrigada pelas informações preciosas”. 


 

Oficinas


 


O Festival Encanta também marcou a volta da música à Sala NEOJIBA, no Parque do Queimado, depois de um longo silêncio desde a suspensão das atividades presenciais, no começo de março. Durante três dias, seis integrantes do Coro Juvenil - Iuri Nery, Maria Fernanda Cardoso, Gabriel Silva, Samuel Silva, Camila Ceuta e Alexsandra Brasileiro - participaram de oficinas na sede do Programa, acompanhados por Arthur Marden ao piano. Todos os protocolos de segurança foram seguidos à risca. 


 


Em homenagem aos 250 anos de nascimento de Ludwig van Beethoven, os solistas trabalharam árias da ópera Fidelio e a canção Adelaide, compostas por Beethoven, em oficinas de interpretação vocal, corporal e cênica com convidados especiais, entre eles,  a cantora lírica Marília Vargas - que vive na Suíça-, a bailarina Mônica Nascimento, do Balé Teatro Castro Alves, Wanderley Meira, diretor artístico do BTCA, vinculado à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e com  o diretor teatral Marcio Meirelles.


Foi durante a gestão de Marcio à frente da Secult que o NEOJIBA foi criado, em 2007. Ele se despediu da oficina falando da “admiração profunda” que sente pelos integrantes do Programa. “Vocês são importantes para a sociedade, para o mundo, para a Bahia, para a arte. Obrigado. Continuem. Acreditem. Vale a pena".


 


Maria Fernanda sente que é uma outra cantora depois das oficinas. "Foi uma experiência incrível, que vou levar pra sempre. Pensar todas as nuances, desde o corpo até a cena, mudou meu canto e o levou para uma outra atmosfera. Da próxima vez que for cantar, vou pensar no meu corpo como um todo fazendo arte. Vi essa mudança não só em mim, mas nos meus colegas. Parecia uma coisa mágica. O festival é muito importante para dar visibilidade aos coros e mostrar que o canto coral é união, é força, é beleza, é arte. E resiste". 


Sobre o NEOJIBA


Criado em 2007 pelo pianista e maestro baiano Ricardo Castro, o NEOJIBA (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia) promove o desenvolvimento e integração social prioritariamente de crianças, adolescentes e jovens em situações de vulnerabilidade, por meio do ensino e da prática musical coletivos. O programa é mantido pelo Governo do Estado da Bahia, vinculado à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social e gerido pelo Instituto de Desenvolvimento Social Pela Música. Em 12 anos de atuação, o NEOJIBA atendeu, direta e indiretamente, mais de 10 mil crianças e jovens entre 6 e 29 anos. 


 


Desde 19 de março de 2020, os 1970 integrantes do Programa estão tendo aulas e atendimento psicossocial online. As atividades presenciais foram suspensas nos 13 núcleos em Salvador e no interior do Estado como medida de prevenção à pandemia da COVID-19.


 


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