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sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Reajuste altíssimo vai provocar cancelamento em massa

 


“É um setor bem complicado e difícil de entender. Nos moldes que temos hoje no Brasil, não sei como eles planejam continuar crescendo”  

Entre as diversas áreas afetadas pela crise do novo coronavírus (covid-19), o setor de saúde tornou-se o grande protagonista do cenário incerto e pandêmico no qual vivemos. Nos últimos 5 anos, os planos de saúde perderam mais de 3,4 milhões de clientes em consequência ao cenário econômico nacional. Diante da crise, a Agência Nacional de Saúde (ANS) divulgou que só entre os primeiros meses de 2020 os planos perderam 283,6 mil usuários em todo o Brasil. Apesar de algumas empresas do setor negociadas em bolsa apresentarem certa recuperação, como a consultoria e corretora de seguros de saúde Qualicorp, que obteve um lucro líquido de R$ 126,7 milhões no segundo trimestre e uma alta de 21,5% no comparativo anual, ainda  é incerto o futuro dessas organizações, já que muitas delas dependem essencialmente da qualidade do fluxo de caixa de outras empresas e da renda familiar. Colocando em foco a quantidade de pessoas que irá ficar desempregada, um aumento no número de clientes torna-se indeterminado.

Para Pedro Paulo Silveira, Economista-Chefe da Nova Futura Investimento, apesar da crise, os aumentos nos preços dos planos de saúde foram absurdos. “No meu caso, por exemplo, recebi um aumento de quase 20%. Se você tiver um aumento destes a cada ano, em quatro, o plano foi praticamente dobrado. Isso é uma trajetória insustentável para muita gente no nosso país. O interessante é que quando falamos no quesito governamental, fica fácil afirmar que a trajetória do endividamento público é insustentável em longo prazo se a taxa de juros de financiamento for maior que a taxa de crescimento e de déficit público. Desta forma, se esse governo adotar uma trajetória explosiva do endividamento, ele quebra. Essa questão todo mundo entende. No entanto, na hora de falar sobre planos de saúde, todo mundo acha que é um bom sinal o aumenta de preço”, afirma.

Além disso, o Economista-Chefe explica que a trajetória do preço é incompatível com a renda de muitos. “A medida que as pessoas envelhecem, a renda delas começa a diminuir, então o cliente de um plano de saúde é necessariamente aquele que tem uma vida curta ou limitada. Desta forma, vai chegar uma hora que com a alta dos custos, a pessoa não conseguirá aumentar o pagamento que tem e vai cancelar seu plano. Aqui no Brasil, as empresas possuem o pensamento de que mais gente vai entrar do que sair. por isso vão cobrando em cima disso. Durante um período, pode até dar certo, mas se colocarmos isso em seus modelos de valuation, a trajetória é incompatível com o crescimento da firma, então isso não funciona, não fecha. Acreditar que alguém consegue pagar um aumento de quase 20% ao ano é loucura, nem político corrupto conseguiria arcar. Portanto, é um setor bem complicado e difícil de entender. Nos moldes que temos hoje no Brasil, não sei como eles planejam continuar crescendo dentro de uma economia que não consegue pagar um aumento de taxa tão elevado”, completa.



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