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sábado, 17 de outubro de 2020

No mês da criança, oftalmologistas destacam a jornada da saúde ocular na infância


 No cenário atípico dos últimos meses, no qual adultos e crianças foram compelidos a ter uma vida em frente às telas para trabalhar, estudar, buscar entretenimento e interagir com família, amigos e o mundo além de suas residências, a visão tem sido cada vez mais exigida. Por outro lado, uma recente pesquisa* mostrou que 34% dos brasileiros nunca foi a uma consulta oftalmológica. Cuidar da saúde de forma preventiva ainda é algo raro para a maior parte da população. E é por isso que os oftalmologistas alertam para a necessidade dos cuidados com a visão, uma jornada do paciente que deve se iniciar logo ao nascer.


“Cerca de metade dos estimados 1,4 milhões de casos de cegueira em crianças com menos 15 anos de idade no mundo poderia ter sido evitado”, comenta a Dra. Marta Hercog, oftalmologista da Oftalmoclin, empresa do Grupo Opty, com base em dados do estudo As Condições de Saúde Ocular no Brasil (2019), do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). Aproveitando que o mês de outubro celebra as crianças, oftalmologistas focam seus alertas a esse público e o especialista comenta alguns pontos sobre os cuidados com a saúde ocular nos primeiros anos de vida e que não devem ser deixados de lado mesmo em tempos de pandemia e do impasse no retorno de aulas presenciais, uma vez que as clínicas e hospitais de olhos estão preparados para receber seus pacientes, adequados aos rígidos protocolos de saúde e segurança da área. 


A importância do Teste do Olhinho

Ainda na maternidade, é recomendável o Teste do Olhinho. Trata-se do primeiro exame oftalmológico da infância. “É simples, rápido e indolor, mas é de vital importância porque o exame pode detectar problemas graves, que precisam de uma investigação mais específica para verificar precocemente eventuais doenças oculares, como catarata congênita, glaucoma, opacidades da córnea, hemorragias no vítreo e tumores intraoculares”, afirma a oftalmologista. 


Consultas na primeira infância

A primeira ida ao oftalmologista é recomendada aos seis meses de idade. Não havendo indicação do médico que exija outra periodicidade, as consultas de rotina devem ser anuais. Um exame oftalmológico perto dos cinco anos de vida é especialmente importante, pois é quando a vida escolar fica mais presente. “O aprendizado ou mesmo o desenvolvimento psicossocial pode ser impactado, se a criança não estiver enxergando adequadamente. É comum meninos e meninas hiperativos ou extremamente tímidos, devido a problemas refrativos não corrigidos que atrapalham sua interação com as outras pessoas”, conta a especialista em Oftalmopediatria, que recomenda não esperar até o retorno das aulas presenciais para levar os pequenos para um check-up oftalmológico.


Já ouviu falar em “olho preguiçoso”?

A ambliopia, popularmente chamada de "olho preguiçoso", ocorre em 2% da população infantil e é causada por estimulação visual pobre (estrabismo, grau de óculos elevado, catarata, pálpebra caída). O tratamento consiste na oclusão (tapa-olho) do olho bom para forçar o olho preguiçoso a funcionar corretamente, prescrição de óculos quando necessário ou cirurgia nas ocorrências de catarata ou pálpebra caída. “A ambliopia pode ocorrer do nascimento até os 8 anos de idade. Quanto mais precoce aparecer, mais grave é o caso, daí a importância do diagnóstico precoce”, informa a oftalmologista.


Sinais de que a saúde ocular precisa de atenção


É recomendado procurar um oftalmologista, se a criança:


·         Aperta os olhos ou entorta a cabeça na hora de ler ou assistir televisão. O ato significa que ela está forçando os olhos a enxergar com mais nitidez, já que ao apertá-los, criamos uma fenda menor nas pálpebras, eliminando os raios periféricos e concentrando somente os raios centrais da visão.


·         Sente dores de cabeça frequentes. Nesse caso, mais do que um problema de visão, se seu filho passa horas em frente ao computador ou videogame, ele provavelmente apresentará vista cansada.


·         Se aproxima muito dos objetos e imagens que quer ver para poder enxergá-los melhor. Se a criança tem dificuldade em reconhecer pessoas e até tropeça em objetos enquanto anda, pode ser que ela tenha miopia.


·         Seu nível de rendimento escolar cai. Lembre-se que a visão é responsável por 70% do nosso contato com o mundo exterior, portanto, se a criança apresenta alguma dificuldade para enxergar, é natural que seu aprendizado seja comprometido, já que ela não reconhece formas e letras.


·         Os olhos lacrimejam frequentemente. As causas podem variar desde conjuntivites alérgicas ou virais, que são facilmente tratadas e em pouco tempo se resolvem espontaneamente, até problemas na formação do canal lacrimal, que não se desenvolveu adequadamente durante a gestação.


 


Cenário de exceção


Com as crianças passando muito tempo em frente às telas nos últimos meses, é muito comum os familiares pensarem que o único problema nesse comportamento é a luz do celular, ou mexer no celular em um ambiente escuro, mas a maior vilã é a distância de uso. “Para enxergarmos bem de perto, temos um músculo dentro do olho que é responsável por focar as imagens. Quando usamos muito a visão de perto, nossa visão pode ficar temporariamente borrada e os músculos podem se cansar, levando à dor de cabeça”, comenta a oftalmologista. Ela também aponta que o uso de telas nos faz piscar menos e, dessa maneira, podemos ter olhos secos e irritados. “Um outro tópico importante é o aumento da incidência de miopia em crianças pequenas e a progressão mais rápida do grau associada ao excesso de atividades para perto. Isso sem contar as alterações oftalmológicas, o excesso de uso de telas pode ser responsável por alterações no comportamento e também no ciclo do sono”, conclui.


 


Esclarecido esses pontos, o oftalmologista elenca algumas dicas:


·         Estipular tempo limite de uso de telas, de acordo com a idade. A recomendação médica é: até 2 anos, não pode usar telas; 2 - 5 anos, até 1 hora; 6 - 10 anos, até 2 horas; acima 11 anos, até 3 horas.


·         Propor atividades de lazer que possam substituir o tempo usado no celular.


·         Estimular pausas rápidas olhando para o horizonte a cada 20 minutos de tela.


·         Nas aulas on-line, se possível, dar preferência para computador e não celular.


·         Ajudar a criança a manter a distância correta ao usar eletrônicos. Computador e tablet: 60 cm de distância. Celular: 30 a 40 cm de distância.


·         Se a criança usa celular para assistir vídeos ou filmes, que tal espelhar a tela do celular na televisão, aumentando, assim, o distanciamento da tela?


·         Não usar eletrônicos 1 hora antes de dormir.


·         Quando possível e com a segurança exigida, passar algum tempo ao ar livre com exposição à luz natural.


 


* Pesquisa realizada pelo Ibope, sob encomenda da Alcon e apoio do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

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