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terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Bebidas vegetais são uma opção nutritiva para as crianças durante a sedimentação dos hábitos alimentares


 Alessandra Luglio é Nutricionista e Consultora Científica da A Tal da Castanha.  




A fase pré-escolar entre 2 e 6 anos é um período que merece atenção, já que ali acontece a sedimentação dos hábitos. Neste período da vida, a velocidade de crescimento em estatura e o ganho de peso são proporcionalmente menores do que nos dois primeiros anos de vida levando normalmente à diminuição do apetite, maior seletividade de paladar e necessidades nutricionais peculiares à esta fase. Diante disso, pais e familiares podem atribuir o aspecto, a uma doença e não a um fator fisiológico, e chegam aos profissionais de saúde com a queixa de inapetência, uma das mais comuns em consultórios. Além dela, o comportamento alimentar da criança pode ser imprevisível e variável, pois a quantidade de alimentos ingeridos pode oscilar, sendo grande em alguns períodos e quase nula em outros. Birras e caprichos também podem comprometer a aceitação de alguns alimentos.


É um momento que requer atenção tanto nos aspectos nutricionais quanto nos comportamentais, que são desafiadores para os responsáveis podendo refletir na fase adulta. Lembrando que o paladar infantil sempre vai apresentar inclinação ao doce, já que o sabor é inato ao ser humano e não necessita de incentivos. 


Oferecer às crianças alimentos in natura nesta fase é essencial para que o aporte dos principais nutrientes seja alcançado, como também exista a educação do paladar estimulado pelos 5 sabores: doce, amargo, azedo, salgado e umami. Minimizar o consumo diário de alimentos pouco nutritivos, muito calóricos e atraentes também podem comprometer a boa conduta alimentar na infância, por isso é importante ter conhecimento sobre a classificação deles na participação do cardápio dos pequenos.


O Guia Alimentar Brasileiro é um documento que tem como finalidade direcionar as escolhas alimentares dos brasileiros, sendo reconhecido mundialmente pelo seu nível científico e pioneirismo ao incentivar uma alimentação saudável. Outro ponto importante de comentar é que a classificação dos alimentos in natura, minimamente processados, processados e ultraprocessados devem ser claros para que possamos fazer escolhas conscientes. Assim como ter entendimento na lista de ingredientes é parte fundamental.


São considerados alimentos processados aqueles que são fabricados pela indústria com adição de sal, açúcar e outras substâncias de uso culinário. Já os ultraprocessados são formulações industriais feitas de substâncias extraídas de alimentos, como óleo, gordura, açúcar, amido, nutrientes isolados e/ou sintetizados em laboratório que são nomeados como aromatizantes, corantes, realçadores de sabor e outros aditivos.  


Por isso, eu repito: precisamos ter conhecimento sobre lista de ingredientes para fazer boas escolhas. Por outro lado, é importante lembrar que a indústria, através de processos tecnológicos e comprometimento com o consumidor, pode ser uma aliada da boa nutrição uma vez que, além de oferecer alimentos seletivamente mais nutritivos, pode colaborar com a oferta de alimentos envasados e embalados em sistemas seguros que garantem praticidade para consumo a qualquer momento.


Ouso dizer que o comprometimento com a redução da oferta de açúcar, não uso de aditivos artificiais e enriquecimento de formulações com nutrientes específicos focados em cada faixa etária também são essenciais na nutrição infantil.


Na fase pré-escolar, por exemplo, é importante a oferta de alimentos ricos em ferro, cálcio, vitamina A e D, zinco e fibras. Alimentos fortificados, sem adição de aditivos artificiais, podem fazer parte e funcionam como uma ótima estratégia para aumentar o aporte de nutrientes.


Outro ponto importante de comentar são as alergias e intolerâncias ao leite de vaca que podem ocorrer nessa faixa etária. Essas reações alérgicas aparecem, entre o primeiro e o terceiro ano de vida e podem persistir por anos. O sintoma mais grave é a anafilaxia, e os mais comuns e menos graves são cólicas, irritabilidade, choro intenso, sangue nas fezes, vômito, diarreia e recusa alimentar. Alguns sintomas respiratórios e de pele como urticária, dermatite atópica e broncoespasmo também podem ocorrer. No Brasil, um estudo mostrou que a incidência de alergia às proteínas do leite de vaca em crianças é de 2,2%, e a prevalência de 5,4%. O único tratamento é a suspensão do alimento que desencadeia que, no caso, é o leite.


A não oferta de lácteos ou a redução do consumo dos mesmo por crianças é um ponto de tensão e atenção, já que os laticínios são reconhecidamente uma fonte importante de cálcio para o desenvolvimento ósseo que inclui a formação e manutenção dos ossos e dentes, além de auxiliar nas defesas do corpo contra infecções, coagulações sanguíneas e na contração do coração e músculos. 


O estudo Nutri-Brasil Infância, avaliou a ingestão de nutrientes em crianças com idade de 2 a 6 anos que frequentavam escolas públicas e privadas abrangendo todas as regiões do Brasil e encontrou como resultado uma média de 45% na prevalência da inadequação do cálcio entre as crianças de 4 a 6 anos.


Lembrando que o cálcio está presente em alimentos de origem vegetal também, como leguminosas, oleaginosas, sementes e nos vegetais verdes escuros. A oferta de alimentos ricos em cálcio precisa ser contínua e diversificada, e incluir bebidas vegetais fortificadas com esse mineral nas refeições pode ser uma estratégia eficiente e muito saborosa para os pequenos.


Outro nutriente de grande importância são as fibras alimentares, presentes nos alimentos de origem vegetal íntegros. Eles contribuem para o funcionamento intestinal, auxiliando no tratamento da constipação funcional que é um transtorno comum durante a infância. Entre 17% e 40% das crianças, o problema surge no primeiro ano de vida, podendo seguir até a fase pré-escolar. Além disso, o consumo de fibras favorece as bactérias “boas” presentes na microbiota intestinal, promovendo uma melhor absorção de nutrientes e fortalecendo o sistema imunológico. O consumo de bebidas vegetais que são alternativas ao leite animal segue crescendo, incluindo opções voltadas para público infantil. A categoria dos achocolatados é um problema, já que como relatado anteriormente, são feitas com base em leite de vaca e não são reconhecidas como opção saudável uma vez que, por possuírem listas de ingredientes extensas, alto teor de açúcar e aditivos alimentares artificiais, são classificadas como alimentos ultraprocessados a serem evitados.


As novas bebidas vegetais direcionadas para o público infantil nascem em um novo cenário onde os pais, com maior conhecimento e critérios com relação à qualidade nutricional dos alimentos, passaram a rejeitar produtos não genuínos e nutritivos. Bebidas à base de ingredientes naturais, minimamente processados, livres de aditivos sintéticos, com baixo teor de açúcar já são uma realidade no Brasil. 


A Tal da Castanha, por exemplo, lança uma nova linha de bebidas para substituir o leite de vaca no cardápio infantil. O produto não usa nada de origem animal e só tem ingredientes naturais e orgânicos, sendo 100 % vegetal, sem soja ou OGM e enriquecido com cálcio, fibras e ótimos nutrientes.  De proteínas temos exatamente 3 gramas, provenientes da castanha de caju e da fava. Além de nutrir, a bebida passa a ter um papel relevante na construção de um paladar mais limpo e menos estimulado pelo açúcar.


Bons e reconhecidos ingredientes, prioritariamente orgânicos, conotando cuidado na procedência dos mesmos em formulações simples e enriquecidas com nutrientes importantes nesta fase da vida são pontos importantes que certamente são bem vistos e esperados por pais e profissionais da área de saúde na hora em que for necessário ofertar alimentos às crianças.


Um fator que contribui fortemente para o desinteresse pelos alimentos e redução do apetite é a monotonia alimentar. É fundamental oferecer uma alimentação equilibrada, que deve ser composta por refeições coloridas, com diferentes texturas e formas, tornando o prato atrativo para a criança e o momento seja lúdico e divertido. As refeições em família, com a participação das crianças no preparo dos alimentos, dando a autonomia para alimentar-se sozinha e incentivando a curiosidade pelas cores, sabores e texturas dos alimentos, também podem ser ótimas estratégias na construção de bons hábitos alimentares.


*Alessandra Luglio é Nutricionista e Consultora Científica da A Tal da Castanha.  

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