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terça-feira, 2 de março de 2021

População desocupada deve somar 14,5 milhões de pessoas, aponta especialista

 
Resultado da Pnad deve se manter próximo aos 14%; retomada econômica deve acontecer quando 50% da população economicamente ativa for vacinada

taxa de desocupação da população deve se manter próxima dos 14%, no resultado da Pnad Contínua Mensal, que o IBGE divulgará nesta sexta-feira (26). É o que aponta a análise do professor da Fipecafi, Marcelo Neves.

O especialista acredita que ainda que o mês de dezembro represente tradicionalmente uma melhora na geração de vagas, por conta da pandemia não se pode esperar por grande mudança no cenário. “Historicamente, a taxa de desocupação possui uma sazonalidade quando a redução ocorre a partir de março, porém, devido a pandemia e influenciado pelo auxílio emergencial do governo, o nível de desocupação foi crescente até setembro. Adicionalmente, desde 2012, dezembro é o mês em que o nível de desocupação chega ao mais baixo durante o ano. Acreditamos que a tendência de redução da taxa de desocupação deve permanecer no trimestre findo em dezembro de 2020, porém deverá se manter próximo aos 14%, o que representa uma população desocupada de aproximadamente 14,5 milhões de pessoas”, ressaltou.

Neves explica que dois setores geram mais vagas no último mês do ano e existem dois motivos para explicar isso. “O último trimestre do ano e mais fortemente no mês de dezembro é caracterizado pela geração de emprego no setor do comércio varejista em geral e manutenção automotiva (oficinas, concessionárias, autopeças e acessórios). Dois fatores contribuem para que esses setores gerem mais empregos. O primeiro é devido a compra de presentes e preparativos para as festas de fim de ano. E o segundo são que as viagens no período de férias escolares antecipam a manutenção dos veículos para dezembro. Ambos os fatores estão, também, associados a maior disponibilidade de renda em função do pagamento da segunda parcela do 13º salário”, explicou.

Oscilação do comércio

Nos últimos meses foi possível notar que diversas cidades passaram por oscilação entre abertura e fechamento do comércio, o que causa impactos para a geração de empregos. “A incerteza de continuidade da atividade econômica de forma perene impossibilita os empresários de contratarem novos funcionários assim como impede uma previsibilidade mínima a demanda por estoques”, destacou Neves.

Taxa de informalidade

A melhora da atividade econômica favorece a criação de novos postos de trabalho, no entanto, a pandemia provocou uma mudança na qualidade dos empregos que estão sendo gerados. “O trabalho remoto demanda habilidades em tecnologia da informação mais amplas para uma população com maior escolaridade. Segundo o Caged, houve geração de 142 mil novos postos de trabalho durante o ano, porém a informalidade permanece em níveis próximos ao período que antecede a pandemia e a desocupação em taxas ainda maiores”, apontou.

O especialista pondera ainda sobre as perspectivas para que se possa absorver o trabalho informal nos próximos anos. “Agravado pelo baixo nível de escolaridade do trabalhador e com os atuais níveis de consumo e investimentos na economia, não há perspectiva de crescimento econômico significativo nos próximos anos que possa absorver o trabalho informal. Consequentemente o trabalho informal tende a reduzir a renda média, uma vez que os salários pagos na informalidade são menores que os dos empregos de carteira assinada”, disse.

Recuperação da economia

Em relação à quando podemos esperar uma recuperação da economia e, consequentemente, a melhora na geração de empregos, o professor da Fipecafi apresenta o cenário e qual caminho ideal. “O Produto Interno Bruto é formado pela soma dos gastos do governo, investimentos, consumo das famílias e saldo da balança comercial. O Brasil possui uma relação dívida/PIB de aproximadamente 90% e, nesse contexto, o país necessita ter superávit primário reduzindo os gastos públicos para fazer frente ao pagamento de juros da dívida. Devido ao nível de desemprego e redução da massa salarial, o consumo das famílias foi prejudicado. Somente o saldo da balança comercial gerado, principalmente ou quase que exclusivamente pelo agronegócio, não é suficiente para sustentar o crescimento econômico. O investimento privado é o caminho para retomada do crescimento, seja ele por intermédio de privatizações, reduzindo o tamanho da dívida pública, seja por meio de investimento direto”, ressaltou.

Com o início da vacinação contra a Covid-19 é esperada a recuperação da economia, porém, com a imunização acontecendo de forma lenta a retomada ainda levará certo tempo. “É razoável que se espere uma retomada a normalidade das atividades quando 50% da população economicamente ativa estiver vacinada. Ou seja, conforme a pirâmide etária, 50% da população entre 15 e 65 anos representariam aproximadamente 64 milhões de pessoas”, finalizou o professor da Fipecafi.

Fonte Fipecafi


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