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quinta-feira, 18 de março de 2021

Projeto Preguiça de Coleira completa primeiro ano com descobertas inéditas sobre espécie na Bahia


 Iniciado oficialmente em março de 2020 na Reserva de Sapiranga, o Projeto Preguiça de Coleira completa um ano de estudo dessa espécie (Bradypus torquatus) ameaçada de extinção e pouco conhecida. Desde a sua criação, a iniciativa teve como objetivo o monitoramento dos animais, para recolhimento de informações referentes à espécie e atuação na sua preservação, além da elaboração de um plano de ação nacional e internacional   para sua conservação. A iniciativa é realizada pelo Instituto Tamanduá em parceria com a Concessionária Litoral Norte (CLN), uma empresa do grupo Invepar  


“Essa espécie é endêmica do Brasil, ou seja, ocorre somente no nosso país. Ela é extremamente linda, antiga e tem uma função ecológica como jardineira das nossas florestas. Seu estudo é de extrema importância para conhecer a biologia, a ecologia e saúde dessas espécies”, afirma Flávia Miranda, coordenadora do Instituto Tamanduá.  


Durante esse período, 13 animais receberam colares para monitoramento via satélite (8 com GPS e 5 com VHS), mas já foram identificados cerca de 30 espécimes no litoral norte. Ao longo de um ano de observação, foi descoberta a localização exata desses animais, o trajeto percorrido por eles e seus hábitos comportamentais, como por exemplo, suas preferências alimentares. A ocorrência da preguiça de coleira também acontece no Rio de Janeiro e Espírito Santo, mas a incidência delas tem se mostrado maior no litoral da Bahia.  


Após 282 horas de observação, foi possível notar que as preguiças permanecem, em média, por 202 horas em repouso – o que equivaleria a 17 horas de repouso diário. Seguido por 54 horas de alimentação e 14 horas de “auto-catação”. Até o momento, foram registradas 222 espécies de árvores consumidas pela preguiça-de-coleira. Destas, 94 amostras foram coletadas e armazenadas no banco de flora da Universidade Estadual de Santa Cruz-UESC.  


De acordo com a avaliação de Flávia, o primeiro ano “foi maravilhoso. Conseguimos excelentes resultados em tão pouco tempo. Foram mais de 30 animais identificados, muito levantamento de informação, muitas pessoas envolvidas no estudo, entre profissionais e alunos de mestrado e doutorado. Fizemos um evento enorme internacional com mais de 500 pessoas e mais de 20 países. O projeto está andando muito bem, tendo uma abertura muito grande com a comunidade, e esperamos muitos anos pela frente”, declara.   


Filhotes  

Dos 27 animais monitorados, são 15 fêmeas e 12 machos. Entre eles, após cinco meses desde o início do projeto, foram identificados o nascimento de quatro filhotes. Descobriu-se que a gestação desses animais dura seis meses e, por vez, nasce apenas um filhote. Até os dez meses, eles seguem agarrados às mães. A fase adulta é atingida aos três anos de idade.  


Para a analista de meio ambiente da CLN, Brisa Cruz, uma das descobertas mais importantes do projeto, além da grande quantidade de animais na região, foi o período de reprodução, que acontece durante o período chuvoso, entre julho e setembro.   


“Conhecer a reprodução do animal e o modo de comportamento das preguiças para a busca de alimento para os filhotes são importantes porque nos ajuda entender a sua movimentação e a evitar a ocorrência desses animais na BA-099”, explica.   


Comunidade  

Para além da conservação ambiental, desde o seu início o projeto esteve em interlocução com a comunidade de Sapiranga. Foi criado um grupo no WhatsApp denominado “Turma da Preguiça”, que propiciou a participação informal, consciente e voluntária da comunidade e dos pesquisadores.  


Também em 2020 foi firmado o apoio com o líder comunitário Adauto Poeta, para a reforma da sua casa e posterior criação de um museu no interior da Reserva Sapiranga, contendo suas poesias, história e cultura local.  


Nos meses iniciais das restrições de prevenção ao coronavírus, o projeto juntamente com o Instituto Tamanduá disponibilizou para a comunidade 50 kits de higiene pessoal e cestas básicas como forma de apoio a situação pandêmica.  


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