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quinta-feira, 27 de maio de 2021

Sustentabilidade em foco: como inovar no setor de energia?

 No Dia Mundial da Energia – 29 de maio – especialistas chamam a atenção para as tendências em sustentabilidade e alertam quanto aos avanços necessários para implantar uma cultura de inovação  



Redução dos custos operacionais, diminuição do impacto ambiental, aumento da vida útil, competitividade, eficiência. Impactado, frente à crise sanitária global, o setor de energia – que já vinha incorporando novas soluções em termos de sustentabilidade – teve mudanças impulsionadas, na pandemia; mais do que acompanhar as movimentações do mercado, as empresas do segmento se viram diante do desafio de abarcar a demanda crescente de geração de energia, otimizar processos, integrar tecnologias digitais e diversificar as matrizes para reduzir os efeitos nocivos ao meio ambiente.  


Um estudo da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) prevê crescimento, no Brasil, de 3,8% ao ano, no consumo de energia até 2023. Paralelamente, pressões internacionais, metas do Acordo de Paris e a ampliação de discussões sobre avanços que priorizem a diminuição do impacto ao planeta revelam que a alavancada dos negócios não poderá ser planejada senão associada a modelos sustentáveis. Até 2030, o Fórum Econômico Mundial espera que 70% da energia gerada no mundo seja proveniente de fontes renováveis. E uma pesquisa da PwC Brasil mostra que 7 em cada 10 líderes brasileiros acreditam que haverá aumento, nos próximos 3 anos, de investimentos em ações de sustentabilidade e práticas ESG (responsabilidade ambiental, social e governança corporativa) – uma realidade que, segundo estudiosos da área, deve valer também para o segmento de energia. Mas como inovar no setor? 


“Empresas mais tradicionais podem inovar de diversas formas, desde processos internos, se adaptando a novas metodologias, novas tendências de gestão, soluções inteligentes e melhorias de produtos e serviços, com uma cultura mais inovadora, até a adoção de tecnologias ou investimento em startups para ampliarem o seu portfólio, suas soluções e conseguir atacar as demandas do cidadão e do cliente de uma forma mais efetiva”, destaca Rodrigo Paolilo, co-fundador e CEO do Grupo Rede+, hub de soluções em inovação corporativa, referência, na capital baiana, em conectar e acelerar empreendedores e negócios. 


Segundo ele, no processo de disputa competitiva, as empresas que não mantiverem o foco em eficiência energética nem estiverem atentas aos marcos regulatórios ou alinhadas a práticas inovadoras de gestão poderão perder a chance de posicionamento em um momento estratégico. Fontes renováveis de energia representam, atualmente, mais de 80% da matriz elétrica brasileira, e pesquisas apontam que o país pode se tornar o maior hub de energia renovável do mundo. “É uma tendência irreversível e o Brasil tem uma posição privilegiada. No Nordeste, mais ainda, de adoção dessas novas tecnologias, e o nível de consciência tem aumentado, não só nas empresas, mas no caso dos consumidores, cidadãos”, reforça Rodrigo Paolilo. 


 


De olho no futuro 


Para as empresas que responderem às demandas ambientais com eficiência, em termos de energia, o cenário é positivo. O Banco da União Europeia anunciou, no último ano, empréstimos de até 250 milhões de euros para apoiar a implantação de parques eólicos no Brasil, na região Nordeste. “Quem consegue fazer isso tem diferencial competitivo para expansão, crescimento, melhoria de imagem e longevidade. Hoje em dia o segmento de energia – diferente de vários outros – traz resultados de médio e longo prazo. Em contrapartida, os ciclos de vida de empresas têm diminuído. Isso não é tão diferente em energia e se elas não continuarem buscando melhoria de processo, produtividade, tecnologia, inovação, rapidez, também correm o risco de não conseguir o retorno sobre os investimentos previamente feitos”, alerta o especialista. 


 


Aceleração  


Implantar uma cultura de inovação, entretanto, vai além do diferencial no mercado. Pautadas em uma agenda de responsabilidade socioambiental, as startups baianas Soleste Energia – especializada em geração de energia elétrica solar fotovoltaica – e EnviPRO – que oferece cursos, treinamentos e soluções educacionais na área de meio ambiente – revelam que o alto nível de entrega, nas áreas de atuação, o desempenho e o diferencial em soluções sustentáveis foram alcançados após constantes aprimoramentos, adaptações, planejamento estratégico e acelerações. E os resultados atingidos podem contribuir de forma integrada também com outras empresas na cadeia produtiva de negócios. 


“Existem startups que ajudam com problemas específicos, no segmento, e que, se plugadas, integradas com grandes empresas ou médias, isso otimiza os resultados e gera eficiência e produtividade”, salienta Rodrigo Paolilo, da Rede+, que colaborou com programas de aceleração dos quais participaram as startups. 


“O programa de aceleração é fundamental, nos mostra o que precisa ser feito e nos desafia a atingir nossos objetivos. Quando a gente entra em um programa desses, a gente consegue, de forma constante, pensar no futuro e resolver os problemas com as melhores ferramentas disponíveis no mercado”, avalia o sócio-diretor da Soleste Energia, Geovane Luania, que atua hoje com tecnologia inovadora no ramo de energia solar fotovoltaica, com foco em desempenho e segurança. 


Para o engenheiro ambiental e sanitarista Leonardo Barros, da Envipro, a parceria com a Rede+ e participação no programa de aceleração tem trazido soluções efetivas. Com liderança empática, estímulos à equipe e sinergia na comunicação organizacional, a Envipro já impactou mais de 4 mil alunos em capacitações na área de meio ambiente. 


“Não há como pensar hoje em empresas, lideranças, ampliação de mercado, sem colocarmos a pauta de sustentabilidade no meio. A Envipro está atenta às pressões nacionais e internacionais por desenvolvimento sustentável. Aqui, no país, a gente tem uma biodiversidade incrível, um potencial de matrizes energéticas imenso, e é claro que existem também questões regulatórias, que têm sido muito discutidas e colocadas em pauta. Do ponto de vista energético, é um caminho sem volta. É uma aposta nossa também desenvolver e preparar mais pessoas para estarem aptas a acompanhar esse mercado que está avançando bastante”, finaliza Leonardo Barros. 

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