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quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Elevador do Taboão é reativado após mais de seis décadas de abandono

 


Um dos equipamentos públicos históricos de Salvador voltou a funcionar após mais de seis décadas de desativação. O Elevador do Taboão, responsável por fazer a ligação entre o Pelourinho e o Comércio, passou por obras de revitalização promovidas pela Prefeitura e, agora, se junta a outras opções de transporte disponíveis a soteropolitanos e turistas que se deslocam entre as cidades Baixa e Alta, como o Elevador Lacerda, planos inclinados Liberdade/Calçada, Gonçalves e Pilar. A inauguração do equipamento ocorreu nesta quinta-feira (30), com as presenças do prefeito Bruno Reis e da vice, Ana Paula Matos.

 

Também compareceram ao ato a presidente da Fundação Mário Leal Ferreira, Tânia Scofield; o secretário de Mobilidade (Semob), Fabrizzio Muller; o titular da Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra), Luiz Carlos de Souza; e o superintendente do Iphan, Bruno Tavares, entre outras autoridades.

 


Durante a inauguração, com as bênçãos do padre Renato Minho, da Paróquia de Nossa Senhora do Pilar, o prefeito destacou que em nenhum outro momento houve uma transformação tão grande como a que vem sendo feita no Centro Histórico atualmente, com a realização de mais de 40 iniciativas. Dentre elas a recuperação do Elevador do Taboão, que já estava em ruínas.

 

“Tivemos a coragem de assumir esse projeto e tirar essa obra do papel. Foi necessário adequar o projeto para um maquinário próprio, mas preservamos o elevador, a história está aí preservada. E hoje nós estamos inaugurando um equipamento climatizado, panorâmico, que vai ligar as cidades Baixa à Alta e que vai ajudar a estimular a economia nessa região. É um sonho antigo dos comerciantes e mais um meio de locomoção para a população, além de mais um ponto de visitação para os turistas que vêm a nossa cidade”, afirmou Bruno Reis.

 

A intervenção contou com investimento de R$5,4 milhões, provenientes de recursos municipais. A expectativa é que, com a reativação, o ascensor se torne novo cartão postal da cidade, contribuindo não apenas para a mobilidade dos pedestres como, também, para impulsionar o turismo e economia local.

 

O projeto de recuperação do Elevador do Taboão foi cedido para a Prefeitura pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional na Bahia (Iphan-BA). Recentemente, o Executivo municipal concluiu outros dois projetos cedidos pela entidade federal, com recursos próprios: as obras de requalificação dos Arcos da Ladeira da Conceição e da Muralha do Frontispício de Salvador.

 

Repaginada – Havia forte apelo dos moradores e comerciantes para que o Elevador do Taboão fosse revitalizado. A intervenção contemplou a restauração integral da estrutura e das duas estações de acesso nos níveis inferior e superior. Envolveu, ainda, a modernização das instalações, buscando adequar a construção às normas técnicas vigentes, inclusive de acessibilidade universal.

 

Além disso, o elevador ganhou áreas com mesas e sanitários. Já as duas cabines, com capacidade para 13 pessoas cada, foram climatizadas e tiveram aspecto completamente moderno com materiais e coloração que não desvirtuam da estética da estrutura original, integrando-se perfeitamente ao resgate do uso original do equipamento.


 

Para o auxiliar administrativo Antônio Carlos de Santana, de 40 anos, há 12 deles trabalhando em um escritório na Avenida Estados Unidos, o elevador vai ajudar bastante a cumprir a rotina com mais conforto. “Eu moro no Cabula, pego um ônibus até a Baixa dos Sapateiros para, depois, descer a Ladeira do Taboão. Como eu venho cedo, temia a insegurança. Além disso, aqui antes só havia mato, inclusive houve um deslizamento de terra oferecendo um risco muito grande. Agora eu vou acessar o Comércio com mais tranquilidade e conforto. O elevador, portanto, além de melhorar a mobilidade, vai oferecer mais segurança”.

 

Esther de Jesus, 41 anos, trabalha como gerente de vendas em uma papelaria da região há 15 anos. Ela contou que a maioria dos clientes não conhecia o elevador do Taboão por ter ficado tanto tempo parado. Com a revitalização, ela espera que haja uma mudança significativa.

 

“Essa reforma foi algo importante para o comércio e acredito que vai abrir novos horizontes, até mesmo melhorar as vendas e atrair novos investimentos. O elevador, o Museu da Música e outras obras têm valorizado a região. Agora nós temos um novo cartão postal, que ficou muito bonito, por sinal. Para nós, funcionários, será uma nova opção de mobilidade. Antes eu vinha de ônibus para o Comércio, agora vou poder vir pela Baixa dos Sapateiros, que é um caminho melhor”

 

Funcionamento – O equipamento já começa a operar amanhã (1º), de segunda a sexta-feira e terá o funcionamento gratuito por período indeterminado. A capacidade do elevador é de até 14 pessoas por viagem, mas devido à pandemia, serão transportadas, no máximo, oito pessoas por viagem.

 

História – Inaugurado em 19 de janeiro de 1896 pela companhia Linha Circular de Carris da Bahia, o Elevador do Taboão, assim como o Lacerda, foi símbolo da modernização e marco da arquitetura em ferro na Bahia no final do século XIX. O equipamento foi inserido em um projeto de melhorias urbanas em Salvador durante o segundo mandato de Antônio Gonçalves Martins (entre 1868 a 1871), o Barão de São Lourenço.

 

De acordo com registros divulgados pelo Iphan, os dois ascensores não significaram apenas uma simples importação tecnológica – o maquinário foi construído na Inglaterra, na oficina de W.G. Armstrong de New Castle, a mesma que forneceu para o Elevador Lacerda -, mas uma adaptação de concepções de transportes verticais prediais europeus às condições geográficas baianas, assim como uma inovação no modelo urbano encravado na rocha.

 

Além disso, a engenharia e arquitetura que compõem o ascensor do Taboão marcaram época. As suas torres foram construídas com réguas de ferro chumbado cruzadas, com desenhos simétricos em forma de curva ou parábola.

 

O Elevador Taboão chegou a ser conhecido na cidade como “A Balança” e teve grande importância, ligando locais de moradia e de trabalho, oferecendo maior rapidez e facilitando a circulação da população. Funcionava diariamente, das 6h às 11h, custando 100 réis a passagem. As operações duraram 65 anos até que a desativação ocorresse, em 1959, num processo que deu início à degradação do ascensor.

 

Demais ações – Outros projetos da Prefeitura estão em andamento para valorizar ainda mais a região do Centro Histórico, como relatou o prefeito Bruno Reis. Dentre eles estão a construção do Arquivo Municipal e da Casa da História de Salvador, no Comércio, em andamento; a negociação com a Codeba para a transformação dos galpões em um centro gastronômico; a recuperação do monumento de Mário Cravo, cujo resultado da empresa que fará a restauração foi publicada esta semana; a instalação de uma roda-gigante, na região do Comércio; implantação do memorial às vítimas da Covid-19, na Praça Cairu; e a Escola Digital, a ser implantada em frente à Praça da Inglaterra, junto com o Senai/Cimatec; e a cessão do Forte São Marcelo à Prefeitura, aguardando apenas a resposta da Superintendência do Patrimônio da União (SPU).



 Fotos: Bruno Concha/Secom


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