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domingo, 24 de agosto de 2025

Agosto Lilás: violência doméstica e saúde mental das mulheres




No mês de conscientização pelo fim da violência contra a mulher, a neurocientista Ana Chaves alerta para os impactos psicológicos do abuso e a importância do acolhimento terapêutico


No mês dedicado à conscientização e combate à violência contra a mulher, a neurocientista e psicanalista Ana Chaves chama atenção para os impactos profundos que o abuso doméstico pode causar na saúde mental feminina. Instituído para marcar a sanção da Lei Maria da Penha, em 7 de agosto de 2006, o Agosto Lilás reforça a urgência de políticas públicas, acolhimento e suporte emocional às vítimas.


A violência doméstica é uma das formas mais silenciosas de sofrimento psicológico no Brasil. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, uma em cada três mulheres já sofreu algum tipo de violência por parte de parceiro íntimo. “A violência não deixa marcas visíveis apenas no corpo, ela atinge a autoestima, distorce a percepção de valor pessoal e gera alterações profundas no funcionamento cerebral”, explica Ana Chaves, que dedica sua carreira ao estudo dos efeitos do trauma no cérebro humano.


De acordo com a neurocientista, o abuso prolongado provoca uma hiperatividade constante da amígdala, região responsável pela resposta ao medo, e altera o equilíbrio dos neurotransmissores, o que pode desencadear ansiedade, depressão, insônia, dificuldade de concentração e sintomas físicos, como dores crônicas e problemas gastrointestinais. “O impacto psicológico da violência doméstica é severo e demanda atendimento especializado para a reorganização emocional e a reconstrução da autoestima da mulher”, reforça Ana.


O Agosto Lilás, portanto, é um momento fundamental para ampliar a conscientização sobre as diversas formas de violência, que vão além da física e incluem abuso psicológico, moral, sexual e patrimonial. Identificar esses tipos de agressão é o primeiro passo para buscar ajuda. O controle financeiro, as humilhações constantes, o isolamento imposto pelo agressor e a manipulação emocional são sinais claros de abuso que comprometem a saúde mental da vítima.


A Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, é um marco legal no Brasil para o enfrentamento dessa violência. Criada a partir da luta da farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, que sobreviveu a duas tentativas de feminicídio e viu seu caso ser levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, a legislação estabelece mecanismos para proteger as mulheres, como medidas protetivas de urgência, o afastamento do agressor e a criação de uma rede de atendimento especializada. Reconhecida pela ONU como uma das melhores do mundo em seu campo, a lei, no entanto, precisa estar aliada a um acolhimento emocional que garanta a recuperação integral da vítima.


Nesse sentido, as políticas públicas de saúde mental têm papel fundamental. Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito, incluindo serviços especializados para mulheres vítimas de violência em algumas regiões. Também há iniciativas de teleatendimento que ampliam o acesso, especialmente para quem vive em locais remotos ou com poucas opções. Ana Chaves enfatiza, porém, a necessidade de ampliar e qualificar ainda mais esses serviços para garantir um suporte efetivo e contínuo. “Políticas públicas integradas, que unam proteção legal e cuidado psicológico, são essenciais para que a vítima possa reconstruir sua vida com dignidade e autonomia”, avalia.


Para Ana, o cuidado com a saúde mental das mulheres vítimas de violência é tão essencial quanto a proteção jurídica. “A terapia com profissionais qualificados, o suporte psicológico e social e a criação de espaços seguros são essenciais para que essas mulheres possam reconstruir sua vida com autonomia e dignidade”, destaca. Ela orienta que a busca por ajuda deve incluir desde o contato com a Central de Atendimento à Mulher pelo número 180, até o apoio em Centros de Referência de Assistência Social, serviços de saúde pública e organizações da sociedade civil.


Além disso, Ana ressalta a importância da ampliação do acesso a serviços especializados, como psicólogos e psiquiatras pelo SUS, inclusive via teleatendimento, para garantir acolhimento mesmo em locais mais distantes ou com menos recursos. “Reconhecer o abuso e ter acesso a uma rede de suporte multidisciplinar é fundamental para a recuperação física e emocional dessas mulheres”, conclui.


Serviços e canais oficiais de suporte:


● Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180: canal nacional para denúncias, informações e encaminhamentos em casos de violência contra a mulher.

● Disque 100: para denúncias de violações de direitos humanos, incluindo violência doméstica.

● Portal Mulher (Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos): disponibiliza informações e orientações.

● Conecte SUS: plataforma oficial do Ministério da Saúde que, além de agendamento de consultas, oferece acesso a teleatendimento psicológico gratuito pelo SUS, facilitando o cuidado em saúde mental especialmente para mulheres em situação de violência que enfrentam dificuldades para atendimento presencial.

Quem é Ana Chaves


Neurocientista e psicanalista renomada, Ana Chaves se dedica a estudar o funcionamento do cérebro humano e a capacitar indivíduos a alcançarem seu potencial máximo. Através de uma abordagem holística e científica, Ana inspira e orienta aqueles que buscam crescimento pessoal e profissional. Colabora com o UOL e Valor Econômico com colunas mensais sobre equilíbrio emocional e desenvolvimento humano. Também realiza palestras e mentorias, já tendo impactado a vida de mais de 5 mil pessoas.


Para mais informações: https://www.instagram.com/oficialanachaves/


Foto: Divulgação/Senado

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