Desconhecimento sobre dor no quadril pode atrasar diagnóstico e tratamento, aponta estudo
No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas convivam com artrose no quadril, uma doença degenerativa que causa dor, limitação de movimentos e impacto significativo na qualidade de vida da população idosa. Apesar desse número expressivo, muitos pacientes ainda têm dificuldades para identificar os sintomas relacionados a esta região do corpo, especialmente quando a dor aparece em áreas “próximas”, como joelho, virilha ou coxa, e não diretamente na articulação afetada.
Este fato não acontece somente por aqui. Um levantamento conduzido pelo Ohio State University Wexner Medical Center revelou que a maioria dos norte-americanos também tem dificuldade em reconhecer os sinais de problemas no quadril, mesmo quando a dor aparece em regiões próximas, como joelhos, virilha ou coxas. A falta de informação, segundo o estudo, pode atrasar o diagnóstico correto e comprometer a qualidade do tratamento.
Realizado em junho de 2025, o estudo ouviu 1.004 adultos nos Estados Unidos e mostrou que 72% dos participantes não sabiam que dor nos joelhos, por exemplo, pode estar relacionada ao quadril. Da mesma forma, 69% não associaram a dor na virilha e 66% não identificaram a dor na coxa a esse tipo de condição.
Segundo o Dr. Fábio Elói, cirurgião de quadril e oncologista ortopedista, essa confusão é comum porque a articulação do quadril é complexa e compartilha nervos e músculos com outras regiões do corpo.
“Muitas vezes, o paciente relata dor no joelho ou na virilha, mas após avaliação é possível constatar que a origem está no quadril”, destaca.
Entre os sintomas mais facilmente reconhecidos como relacionados ao quadril, o estudo apontou a sensação de estalo ou clique (71%), dificuldade para abaixar ou amarrar os sapatos (59%) e dor lombar (53%). Já sinais menos lembrados incluem dor noturna ou dificuldade para dormir (45%), dor na coxa (34%), dor na virilha (31%) e dor no joelho (28%).
Outro dado preocupante é a forma como as pessoas lidam com a dor. Quase 40% afirmaram simplesmente ignorar os sintomas e tentar “seguir em frente”, enquanto 52% recorrem a medicamentos de venda livre sem buscar avaliação médica. De acordo com os especialistas responsáveis pelo estudo, esse comportamento pode prolongar o sofrimento e, em alguns casos, agravar a condição.
De acordo com o Dr. Fábio, diante de dores persistentes nessas regiões, é importante procurar um especialista para avaliação. Exames complementares, como radiografia, podem ser solicitados para auxiliar a identificar desde inflamações até quadros de artrite, permitindo a definição do tratamento mais adequado.
“Em alguns casos, a cirurgia de prótese de quadril pode ser indicada, com ótimos resultados”.
O estudo ressalta a importância da compreensão de que dores em áreas como joelho, virilha e coxa podem ter origem no quadril para garantir diagnóstico precoce, acesso ao tratamento correto e melhor qualidade de vida.

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