Com suporte completo, gestão estruturada e know-how, redes mostram que é possível prosperar mesmo em regiões de menor renda, impulsionando desenvolvimento local e acesso à saúde.
O mapa do franchising brasileiro vem mudando. Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor faturou R$ 287 bilhões nos 12 meses até junho de 2025, um crescimento de 14,4% em relação ao período anterior.
Hoje, as franquias estão presentes em 69% dos municípios brasileiros, e a interiorização — a expansão para fora das capitais — é um dos movimentos mais fortes do ano.
Em cidades médias e pequenas, os custos são menores, a concorrência é reduzida e o consumidor valoriza o relacionamento direto com as marcas. No segmento de saúde, beleza e bem-estar, esse fenômeno é ainda mais evidente: o setor cresceu 12% em 2025, impulsionado por redes que entenderam que o poder de compra pode ser menor — mas o vínculo é muito maior.
Há todo um Brasil que cresce longe dos grandes centros. Enquanto muitos empreendedores buscam as capitais, há um interior com poder de consumo menor, mas enorme potencial de fidelização — onde o sucesso depende mais de adaptação e empatia do que de capital.
Um exemplo claro dessa força do franchising vem da maior rede franquias de ortodontia do Brasil, que demonstra como um modelo de negócio estruturado — com suporte, treinamento e gestão profissional — transforma o potencial local em crescimento sustentável.
Quando o sucesso vem de entender o entorno
Um dos exemplos mais marcantes é o da unidade rede em Caetité (BA) — cidade de 53 mil habitantes e IDH 0,625, abaixo da média nacional (0,786). Mesmo com economia dependente da mineração e do setor público, Caetité se tornou palco de um dos cases mais inspiradores da rede.
O advogado Pablo Neves e a dentista Fernanda, em parceria com os multifranqueados Caio e Sílvia, inauguraram a unidade em 2023. O plano inicial era conquistar 150 pacientes em três meses — mas, em apenas quinze dias, já haviam fechado 280 contratos.
“Foi uma loucura. Corríamos pra atender, fechar contrato, repor material. A cidade abraçou a clínica desde o início”, lembra Pablo Neves, franqueado da OrthoDontic, em Caetité.
Dois anos depois, a unidade atende 2 mil pacientes por mês, o equivalente a 4% da população local, e emprega 19 pessoas, a maioria jovens da própria cidade.
“Nosso faturamento está acima do previsto e conseguimos manter margem de 25,7% nos dez primeiros meses de 2025. Devemos faturar mais de R$ 2,2 milhões no ano”, afirma.
Cinco aprendizados de quem faz o negócio dar certo fora das grandes cidades
A trajetória de Caetité se tornou um guia prático de como o modelo de franquia, quando estruturado e amparado por suporte, gestão e experiência de rede, transforma desafios locais em resultados sustentáveis. Com metodologia testada e sensibilidade regional, o franchising mostra que é possível crescer com consistência mesmo em mercados de menor renda.
1. Fale a linguagem do povo — e escute.
“Você precisa entender o ritmo da cidade, o jeito das pessoas, o que é prioridade pra elas. Às vezes é sentar, ouvir e conversar. A confiança nasce daí.”
Em cidades pequenas, pertencer é mais importante do que apenas estar presente. Falar a mesma língua é construir credibilidade todos os dias.
O primeiro passo para prosperar é compreender a realidade — e não tentar mudá-la de cima pra baixo.
2. Flexibilize tudo.
“Tem paciente que paga R$ 20 no Pix, R$ 10 no crédito, R$ 15 no débito — e é assim que o negócio gira. O importante é caber no bolso e manter a qualidade.”
Flexibilizar não é renunciar ao lucro — é compreender o esforço do cliente e transformar isso em confiança e fidelização.
Em mercados de renda menor, quem adapta o formato ganha relevância e respeito.
3. Construa vínculo — antes de vender.
“A clínica precisa fazer parte da cidade. Não é sobre estar lá, é sobre pertencer.”
A equipe participa de eventos, escolas e campanhas culturais. O concurso de desenhos promovido nas escolas, por exemplo, virou tradição local.
“Quando o cliente gosta, ele traz a família toda. O boca a boca é o melhor marketing que existe.”
Em comunidades pequenas, a reputação é o maior ativo — e o relacionamento, o motor do crescimento.
4. Transforme o time em parceiro — e pratique gestão de pessoas.
Um dos maiores aprendizados de Pablo foi entender que o sucesso do negócio passa pela gestão de pessoas. No início, a rotatividade era alta e faltava entrosamento. Com o tempo, ele e Fernanda aprenderam a contratar melhor, valorizar talentos locais e criar um ambiente de confiança. “Quando a gente aprendeu a olhar para as pessoas, tudo mudou. Gestão é sobre gente — e o negócio só dá certo quando o time veste a camisa”, resume o franqueado.
Empreender é, antes de tudo, saber formar e inspirar pessoas — porque uma equipe engajada é o maior ativo de qualquer negócio.
5. Amplie o olhar para a saúde completa.
“A ortodontia paga as contas, mas o clínico é o que faz crescer.”
Ao integrar atendimentos clínicos, a clínica dobrou o faturamento e se tornou referência em cuidado integral.
“O paciente não volta só pelo aparelho. Ele fica porque confia.”
Negócios sustentáveis crescem quando enxergam o cliente como pessoa, não como procedimento.
Um modelo de negócio pensado para o Brasil real
Para Érica Saldeira, diretora de expansão da franqueadora, o sucesso de Caetité traduz a essência da rede: um modelo construído para o Brasil real, que combina padronização, preço acessível e olhar regional.
“Trabalhamos com o público das classes C e D, que representa a maior parte da população. Nosso ticket médio, entre R$ 100 e R$ 110, cabe no orçamento das famílias e garante sustentabilidade em qualquer cidade”, explica Érica Saldeira, diretora de expansão da OrthoDontic.
Segundo ela, o suporte ao franqueado é padronizado, mas a abordagem é personalizada.
“Em cidades menores, as campanhas são voltadas ao relacionamento, porque todo mundo se conhece. Isso gera fidelização e vínculo — e é o que mantém a marca relevante mesmo em praças menores.”
Além de resultados financeiros, o modelo gera renda, capacitação e impacto social. “Cada clínica representa um ecossistema de desenvolvimento local: emprega, forma profissionais e amplia o acesso à saúde de qualidade. Esse é o verdadeiro propósito do nosso modelo de negócio”, reforça Érica.
De Caetité para Alagoinhas — e o aprendizado que fica
Com a operação consolidada, o grupo se prepara para abrir uma nova unidade em Alagoinhas (BA), cidade com 170 mil habitantes e economia mais robusta.
“Caetité foi a nossa escola. Aprendemos a gerir, formar pessoas e entender o público. Agora é aplicar isso em um mercado mais competitivo”, diz Pablo.
A história mostra que é possível prosperar mesmo em ambientes de baixo poder de compra, desde que se compreenda a dinâmica local.
“Enquanto muitos buscam oportunidades nas grandes capitais, o futuro do franchising pode estar nas Caetitês do Brasil”, resume Érica.
Caetité prova que o futuro do franchising não está só nas grandes avenidas, mas nas ruas onde a marca se torna parte da comunidade. Prosperar em mercados desafiadores é possível — basta unir gestão, empatia e o suporte de um modelo de negócio sólido.


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