Translate

INSTAGRAM

INSTAGRAM
@salvadornoticiasofc

Entrevista

Entrevista
O poder da mulher nordestina: "Luciene, a Artesã de Irará"

Salvador Notícias foi conferir show do A-Ha em Salvador

EXCLUSIVO! Caso Joevellyn: De volta pra casa!

Curiosidades Amamentação

Seja bem-vindo. Hoje é

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Jumento nordestino volta ao centro da cadeia produtiva



Jumento nordestino é valorizado e volta ao centro da cadeia produtiva após décadas de abandono


Após décadas de abandono e perda de função econômica, o jumento nordestino começa a dar sinais claros de revalorização e reinserção produtiva no semiárido brasileiro. Segundo especialistas, o animal — historicamente essencial para o desenvolvimento da região — passou por um longo período de desprestígio desde os anos 1970 e 1980, quando foi substituído por máquinas e veículos motorizados no campo.


De acordo com o zootecnista Alex Bastos, responsável técnico da Nordeste Pecuária, essa mudança de cenário está diretamente relacionada à retomada da função econômica do jumento dentro de cadeias produtivas organizadas e regulamentadas. “Sem valor econômico e social, o animal doméstico tende ao abandono. Quando passa a ser valorizado, recebe cuidado, manejo adequado e passa a integrar um ciclo produtivo sustentável”, afirma.


Nos últimos três anos, o preço do jumento no Nordeste registrou uma valorização superior a 1.200%, reflexo da reorganização da cadeia produtiva e do interesse crescente por produtos derivados do animal, como proteína, colágeno e leite. Ainda assim, é comum encontrar animais soltos em rodovias, margens de rios e áreas urbanas, consequência direta de décadas de abandono e ausência de políticas de manejo populacional.



Segundo Bastos, o jumento encontrou no semiárido as condições ambientais semelhantes às de sua origem, no continente africano, especialmente na região da Etiópia. “O clima, a vegetação da caatinga e a rusticidade do animal formam uma combinação altamente favorável. Com manejo zootécnico adequado, o semiárido se torna uma região extremamente competitiva para a asininocultura”, explica.


O especialista também rebate afirmações recentes sobre um suposto risco de extinção da espécie no Brasil. Ele destaca que o último dado oficial sobre a população de jumentos no país é o Censo Agropecuário do IBGE de 2017, e que não existem levantamentos oficiais posteriores. “Qualquer número divulgado após isso não tem base técnica nem respaldo institucional”, pontua.


Bastos ressalta ainda que, segundo os critérios da FAO/ONU, uma raça doméstica só é considerada em risco de extinção quando o número de fêmeas reprodutoras é inferior a mil e o de machos inferior a 20 — parâmetros que, segundo ele, não se aplicam aos jumentos no Brasil. “Falar em extinção sem dados oficiais é uma narrativa que não se sustenta tecnicamente”, afirma.


Para o zootecnista, a consolidação da cadeia produtiva dos asininos representa não apenas uma alternativa econômica viável, mas também uma resposta concreta ao problema histórico do abandono animal no Nordeste. “Quando existe valorização, há investimento, manejo, bem-estar e sustentabilidade. É assim que o jumento deixa de ser um problema social e volta a ser um ativo produtivo”, conclui.

 

0 comentários :

 

Solenidades

Gastronomia

Eventos

Teatro

SALVADOR NOTÍCIAS
©Todos os direitos reservados desde 2000-2025 / Salvador - Bahia / . Contato: redacao@salvadornoticias.com
- Topo ↑