Ombro congelado: doença limita movimentos, causa dor intensa e afeta principalmente mulheres entre 40 e 70 anos
• Mulheres na menopausa estão mais propensas a desenvolver a doença, revela especialista
Mais conhecida como capsulite adesiva, o ombro congelado é uma condição caracterizada pela rigidez progressiva da articulação do ombro, acompanhada de dor e perda importante da mobilidade. A doença ocorre devido à inflamação da cápsula articular, estrutura que envolve e estabiliza a articulação, levando ao seu espessamento e à formação de aderências que restringem os movimentos.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC), o ombro congelado afeta entre 2% e 5% da população mundial e é significativamente mais comum em mulheres, especialmente na faixa etária entre 40 e 70 anos. Em muitos casos, a condição surge após traumas, lesões, cirurgias no ombro ou períodos prolongados de imobilização.
Entre os fatores associados ao maior risco de desenvolvimento da capsulite adesiva estão doenças metabólicas, como o diabetes, enfermidades cardiovasculares e até características emocionais, como ansiedade e depressão.
Principais sintomas
Os principais sintomas do ombro congelado são dor persistente e limitação progressiva dos movimentos. Normalmente, a doença se manifesta em três fases:
• Fase dolorosa: marcada por dor intensa, que piora com os movimentos e frequentemente se agrava à noite.
• Fase de congelamento: a rigidez articular se torna mais evidente, com redução acentuada da mobilidade, enquanto a dor tende a diminuir.
• Fase de descongelamento: ocorre a recuperação gradual dos movimentos do ombro.
A duração total do quadro pode variar de seis meses a dois anos, sendo geralmente uma condição autolimitada, embora bastante incapacitante durante sua evolução, podendo interferir significativamente nas atividades da vida diária e no desempenho profissional.
O diagnóstico é realizado pelo médico ortopedista, com base na história clínica e no exame físico. Não existe um teste específico para confirmar a capsulite adesiva. Exames de imagem, como radiografia e tomografia, são utilizados para descartar outras causas de dor e limitação articular, como artrose, fraturas ou tendinites. A ressonância magnética pode auxiliar no diagnóstico da doença.
precoce ao identificar achados sugestivos da doença, como o espessamento da cápsula articular, especialmente no recesso axilar, além de sinais inflamatórios da sinóvia. Embora não seja um critério diagnóstico isolado, alguns estudos sugerem que o grau de espessamento capsular possa estar relacionado ao estágio clínico da doença.
Tratamentos
O tratamento do ombro congelado é, na maioria das vezes, conservador e inclui analgesia, anti-inflamatórios, infiltrações com corticosteroides, fisioterapia direcionada e exercícios de mobilidade. Nos casos mais graves, podem ser indicados procedimentos intervencionistas ou cirúrgicos, sempre avaliados individualmente pelo especialista.
Ombro congelado e menopausa
Embora existam indícios clínicos observados na prática médica, a relação direta entre ombro congelado e menopausa ainda não é comprovada cientificamente. No entanto, especialistas destacam que alterações hormonais podem influenciar processos inflamatórios e musculoesqueléticos.
“Do ponto de vista científico, ainda não há evidências robustas que comprovem uma relação direta entre a menopausa e o desenvolvimento do ombro congelado. Entretanto, observamos evidências clínicas de maior incidência nesse período da vida da mulher, possivelmente relacionadas às variações hormonais características da menopausa”, explica o Dr. Gustavo Barboza de Oliveira, ortopedista e cirurgião de ombro e cotovelo.
O especialista reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico adequado para reduzir a dor, preservar a função do ombro e melhorar a qualidade de vida das pacientes.
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