Água, nutrição e equidade: desafios e caminhos para o Brasil no Dia Mundial da Água
No Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, o debate sobre o acesso à água ganha ainda mais relevância ao reforçar que esse recurso é um direito humano essencial e um fator determinante para a saúde, a alimentação e a qualidade de vida. Instituída pela Organização das Nações Unidas, a data convida governos e a sociedade a refletirem sobre os desafios globais relacionados à água e ao saneamento.
Em 2026, o tema “Água e Gênero” chama atenção para uma realidade urgente: a falta de acesso à água potável e ao saneamento básico afeta de forma desigual mulheres e meninas. Em diversas regiões, são elas as principais responsáveis pela coleta de água, o que impacta diretamente seu tempo, sua segurança, sua saúde e suas oportunidades de educação e trabalho, ampliando vulnerabilidades sociais históricas.
Apesar de sua ampla disponibilidade de recursos hídricos, o Brasil ainda enfrenta desafios significativos no acesso à água tratada e ao saneamento básico. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), cerca de 35 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável, enquanto mais de 90 milhões vivem sem coleta de esgoto. Essa realidade impacta diretamente a saúde pública, contribuindo para a ocorrência de doenças de veiculação hídrica, como diarreias e infecções, além de comprometer a segurança alimentar e nutricional.
A relação entre água e nutrição é direta e indissociável. A água é fundamental em todas as etapas do sistema alimentar desde a produção agrícola até o preparo e o consumo dos alimentos. A falta de água de qualidade compromete a higiene, a segurança sanitária e o aproveitamento adequado dos nutrientes, tornando inviável a garantia de uma alimentação adequada e saudável.
“Garantir o acesso à água de qualidade é condição essencial para promover saúde, segurança alimentar e nutricional e dignidade. Sem água, não há como assegurar uma alimentação adequada e segura para a população.”, ressalta o vice-presidente do Conselho Federal de Nutrição, Alexsandro Wosniaki.
Diante desse cenário, torna-se fundamental fortalecer políticas públicas que ampliem o acesso à água e ao saneamento de forma equitativa, considerando as desigualdades sociais e de gênero. A ampliação de investimentos em infraestrutura, aliada a ações de educação e ao uso sustentável dos recursos hídricos, é essencial para enfrentar essas desigualdades e promover melhores condições de vida para a população.
Promover o acesso à água é promover saúde, equidade e qualidade de vida. Neste Dia Mundial da Água, o CFN convida a sociedade a refletir sobre a importância desse recurso e a atuar, de forma coletiva, na construção de um futuro mais justo e sustentável.

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