O crochê atrai novos públicos e se consolida como fonte de renda, bem-estar e expressão criativa na atualidade
Quando se pensa em crochê, vêm à mente as avós, por tradição. Essa realidade, no entanto, tem se transformado, com jovens aprendendo o ofício. E não apenas por parte das mulheres: homens de diversas idades também encontraram, nesse trabalho manual, uma fonte de renda e bem-estar.
O paraibano Ibson Lincoln, de 38 anos, é um deles. Dono da Bitu’s Crochê, em Salvador, há oito anos produz peças de moda e artigos de decoração. “O interesse surgiu quando quis encomendar um jogo de tapetes para cozinha e banheiro com minha tia crocheteira. Ela estava atendendo a uma encomenda e, logo em seguida, faria o meu trabalho. Ansioso que sou, busquei aprender assistindo a aulas no YouTube”, relembra.
Diferente de Ibson, o alagoano Rodôlfo Aquino, de 24 anos, morador de Maceió, aprendeu a base do crochê com a sobrinha há 10 anos. “Mesmo que surgissem comentários, na época, de que crochê não era coisa para homem, eu acabei ignorando e me joguei”, afirma.
Presente na moda e em artigos de decoração, o crochê se tornou um trabalho artesanal atemporal. Desenvolvida no século XVI, a arte se evidenciou a partir de 1800, quando a francesa Riego de La Branchardiere desenhou padrões que podiam ser facilmente copiados e publicou um livro para que outras pessoas pudessem reproduzi-los.
“O crochê é um espaço de empoderamento e visibilidade e, com tudo o que vem se consolidando na moda atual, acaba potencializando o artesanato, o próprio crochê e, claro, os artesãos”, destaca Aquino.
As peças são criadas a partir de técnicas que envolvem cinco pontos básicos fundamentais: correntinhas, ponto baixíssimo, ponto baixo, meio ponto alto e ponto alto.
Para Ibson Lincoln e Rodôlfo Aquino, os amigurumis — confeccionados com o ponto baixo e técnica em espiral — são a tendência do momento. São bonecos utilizados como brinquedos infantis, presentes personalizados e itens de decoração.
Produção x Saúde Mental
O trabalho é considerado terapêutico por quem o executa e requer muita habilidade e paciência.
“Me ajuda com questões de concentração e memória, já que preciso estimular o cérebro a lembrar o modo de confeccionar diversas peças para não ficar preso às receitas”, afirma Lincoln.
Já Aquino acredita que a produção perpassa o lugar de tranquilizar a mente com outras questões. “Pensando na questão da saúde mental, o crochê tende a aliviar situações de estresse e ansiedade”, destaca.
Além de ser uma atividade terapêutica e uma fonte de renda, o crochê também envolve tempo e dedicação. Segundo Ibson, finalizar uma peça proporciona muita alegria e orgulho, principalmente quando recebe o feedback dos clientes sobre o produto encomendado.






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