Com um público recorde de mais 130 mil e aumento nas vendas, Bienal do Livro Bahia 2026 encerra edição histórica
Ao apostar na originalidade da identidade local, evento literário se consolida como o maior do Nordeste e o terceiro maior do Brasil
Com 130 mil visitantes ao longo de sete dias contínuos de programação, a Bienal do Livro Bahia encerrou, em 2026, a mais sólida edição da sua história e ratificou a missão de se estabelecer como o maior evento de literatura e cultura do Nordeste e o terceiro maior do país. Em 2024, o público havia sido de pouco mais de 100 mil pessoas. A área de exposição também aumentou em mais de 25%, tanto na quantidade de expositores quanto no tamanho médio dos estandes.
Por sua vez, o projeto de Visitação Escolar – que aconteceu em parceria com as Secretarias de Educação do Governo do Estado da Bahia e da Prefeitura Municipal de Salvador, levando alunos das redes públicas de ensino para a Bienal – contou com um aumento no investimento financeiro de 45%.
Ainda sobre o público, o ápice aconteceu no sábado, 18 de abril, quando a Bienal registrou mais de 30 mil visitantes em um único dia, com ingressos esgotados pela primeira vez. O número representa não apenas o maior público diário já alcançado na história da Bienal do Livro Bahia, mas também o maior contingente já recebido pelo próprio Centro de Convenções Salvador no mesmo dia e em um único evento.
Crescimento robusto com personalidade
A identidade cultural baiana faz com que a Bienal do Livro Bahia seja, possivelmente, o evento literário mais original do Brasil, com uma impressão digital inconfundível. Trata-se, portanto, de uma evolução com propriedade, a qual acontece de dentro para fora.
Esse crescimento endógeno da Bienal do Livro Bahia se reflete até mesmo no tema edição 2026: “Bahia - Identidade que ecoa nos quatro cantos do mundo”. A Bahia sempre esteve na vanguarda dos acontecimentos culturais, com histórias de liberdade, luta antirracista, igualdade, diversidade e reinvenção artística e cultural. É nessa potência que tanto contribui para a formação da identidade nacional que a evolução do evento se ancora. A perspectiva cultural baiana forja a identidade da Bienal e, a partir desse fio condutor, o evento foi alçado ao seu atual patamar de importância e se estabeleceu no cenário literário nacional.
A ampliação da quantidade de dias da edição 2026 - foram sete no total, um dia a mais do que em 2024 - é resultado direto da consolidação do evento, que ultrapassou as metas de público, engajamento social e desempenho comercial das editoras. Foram mais de 100 horas de conteúdo produzido e mais de 170 atrações, entre autores, escritores e outros convidados, nos espaços oficiais do evento: Café Literário, Arena Farol e Espaço Infantil Colgate – Portais da Palavra.
"Desde 2022, quando pudemos retornar com o evento em Salvador, a Bienal Bahia vem numa espiral crescente muito interessante, atraindo novas marcas a cada edição, algo que nos deixa felizes e seguros de que o trabalho está dando certo e que o mercado tem progressivamente percebido a importância do evento para se conectar ainda mais com o seu público do Nordeste”, analisa Tatiana Zaccaro, diretora-geral da GL events Exhibitions, empresa que organiza a Bienal do Livro Bahia e que também é responsável pela Bienal do Livro Rio.
Os responsáveis pela escolha dos convidados compuseram um time 100% baiano de curadores. À frente do Eixo Literário estiveram Josélia Aguiar e Itamar Vieira Junior, escritores já renomados; o jornalista, ator, dramaturgo, roteirista e apresentador Aldri Anunciação cuidou do Eixo Cultura além do Livro, com a proposta de explorar o diálogo da literatura com a música, o cinema e as artes; o publicitário Deco Lipe se ocupou do Eixo Young Adult; a atriz e comediante Maíra Azevedo, conhecida na internet por Tia Má, comandou o Eixo de Atualidades; e a diretora e a roteirista Mira Silva ficou responsável pelo Eixo Infantil, fundamental para garantir a diversão de toda a família.
Muito mais do que garantir a representatividade regional, o grande trunfo de ter uma curadoria 100% baiana é poder manter viva a conexão entre o local e o global. Sem contar que em todos os painéis houve, ao menos, uma convidada ou convidado da Bahia.
Expositores e aumento nas vendas
O aumento da área de exposição e os números recorde de público também se refletiram diretamente no desempenho das editoras. A Companhia das Letras, que abriu na Bienal as comemorações de seus 40 anos, ganhou outro motivo para festejar: um aumento de 30% em faturamento e volume de vendas em relação à edição de 2024.
“Esse movimento reforça a conexão do público, principalmente os jovens, com o nosso catálogo e autores”, afirma Mariana Figueiredo, diretora executiva de comunicação e marketing da Companhia das Letras.
Entre os livros mais vendidos da Companhia das Letras, o primeiro lugar ficou com “A Cabeça do Santo”, de Socorro Acioli, uma das mesas mais disputadas da Bienal. Em seguida aparecem “Jantar Secreto” e “Suicidas”, de Raphael Montes, que também figurou na grade oficial do Eixo Cultura além do Livro. Imediatamente atrás, vem “A Seleção” e “A Escolha”, de Kiera Cass, publicados pelo selo Seguinte.
Estreante na edição de 2026, a Editora Planeta também teve sucesso nas vendas. Os títulos mais procurados no estande da editora Planeta, integrante de um dos maiores grupos editoriais do mundo, foram “Dez mil sóis” e “Cabeça na nuvem”, ambos de Renan Carvalho, além de “Raça social”, de Bárbara Carine, outra atração bastante querida pelos espectadores do evento.
“Atendemos as nossas expectativas numéricas e institucionais. É muito importante a gente fazer esse evento junto do público com os nossos autores, muitos deles aqui da Bahia, dentro de um ambiente com toda a estrutura que a Bienal oferece”, reconhece Gerson Ramos, diretor comercial da Editora Planeta. Contente com os resultados, Gerson emenda: “A gente sai dessa primeira experiência na Bienal Bahia com vontade de voltar”.
Na HarperCollins Brasil, o saldo também foi positivo. A editora retornou para mais uma edição da Bienal baiana e viu um crescimento de 70% no faturamento em comparação a 2024. “A principal palavra que o evento deixa é: representatividade”, atesta Daniela Kfuri, diretora de Marketing e Vendas da HarperCollins Brasil. Daniela destacou, ainda, a “animação” da HarperCollins diante da presença das escolas.
Entre os livros mais vendidos do estande estiveram o clássico “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, e “A Guardiã de Pedras”, de Cristina Bomfim. “A gente viu muita procura por sessões temáticas, com destaque para pautas LGBTQ+, autores locais e autores negros que brilharam nos debates e conquistaram o público”, relatou Daniela.
O espaço do Grupo Ciranda Cultural também agradou ao público cristão, com o campeão de vendas “Conversa com Deus Pai 2026: 365 reflexões para escutar a voz de Deus em cada dia do ano”, livro devocional escrito por Amanda Veras, parte do catálogo da Editora Principis. Em segundo lugar, “Mulheres que Buscam Deus: 365 dias para transformar sua vida na presença de Deus”, publicado pela Editora Kairós.
“A última edição já foi boa, mas em relação ao ano passado, tivemos um aumento de vendas considerável. Estamos com um estande maior e trouxemos um novo selo, o Mood. Quero elogiar a boa participação do público da cidade, que abraçou o evento, e as iniciativas todas que os organizadores tiveram para trazer o público, as escolas, tudo que faz uma Bienal funcionar corretamente”, analisou o administrador.
Mercado editorial baiano no coração da Bienal
A pluralidade e a bibliodiversidade foram conceitos norteadores, na prática, para a Bienal do Livro, que priorizou reforçar seu vínculo com o mercado editorial da Bahia, com a presença de editoras e livrarias baianas, como LDM, P55, Trem Fantasma, além dos grupos editoriais universitários da UFBA, da UNEB e da UCSAL, e das editoras apoiadas por iniciativas da Fundação Pedro Calmon no estande do Estado e da Fundação Gregório de Mattos no estande do município.
Na Livraria LDM, estande-âncora e um dos nomes mais tradicionais do mercado livreiro do estado, cerca de 10 mil livros foram vendidos durante o evento. Entre os livros mais vendidos da LDM, o primeiro lugar ficou com “A hora da estrela”, de Clarice Lispector. Em seguida aparecem “A Cabeça do Santo”, de Socorro Acioli, e “Pequenos sigilos”, livro de estreia de Chico Chico, lançado durante a Bienal. Empatado com ele, está “Olhos d’água”, da mineira Conceição Evaristo.
“A nossa experiência esse ano, eu diria que de uma maneira geral foi muito boa. O fato de ter um dia a mais eu acho que também contribuiu, porque dá uma distensão mais no público, ele não se concentra tanto”, elogiou Primo Maldonado, diretor da LDM. Segundo Primo, a LDM vem se estabelecendo como um ponto de referência dentro da Bienal. “As pessoas têm que dar uma passada na LDM. A gente tem percebido isso.”
A participação da P55 Edição na Bienal do Livro Bahia 2026 superou as expectativas da companhia, que está satisfeita com um faturamento cerca de 40% acima da meta prevista. “Mais do que os números, no entanto, o que levamos de mais valioso foi a visibilidade da marca e as conexões que criamos — a Bienal se mostrou um ambiente genuinamente propício para encontrar novos parceiros e semear projetos futuros. Com certeza estaremos de volta em 2028”, garantiu Marcelo.
O grande destaque de vendas da P55 foi "Cartas de uma Repórter", livro de crônicas da jornalista Adriana Oliveira. Um excelente desempenho com o livro de fotografias "Voltaire Fraga: uma Bahia em movimento", fotolivro organizado por Marcelo Campos, também foi registrado. “O público baiano compareceu em peso e a interação foi intensa e calorosa ao longo de todos os dias”, constatou Marcelo Portugal, sócio-diretor da P55 Edição.
Outro exemplo, por fim, é o Coletivo Compiladas, que teve um desempenho monetário de 30% acima da expectativa. Para Kin Guerra, sócio-diretor da baiana Solisluna Editora e representante das Compiladas, o dado é indicativo de que há, sim, público atraído por propostas editoriais independentes fora do eixo Rio-São Paulo, ainda por cima quando elas se articulam entre si e com curadoria. “Foi uma experiência muito potente. O estande virou, de fato, um ponto de encontro, não só de leitores, mas também de editores, autores, bibliotecários, professores e pessoas interessadas em pensar o livro para além das letras.”
Patrocinadores em prol da democratização da leitura
A Bienal do Livro Bahia 2026 colecionou parcerias com marcas e instituições que acreditam na literatura, na educação e na cultura. Os patrocinadores da Bienal providenciaram visitas escolares, espaços temáticos, ativações e ações de impacto social voltadas para a concepção de novos leitores.
As gestões Estadual e Municipal investiram esforços na leitura como política pública. O Governo do Estado da Bahia, que apresentou o evento, montou um estande próprio de 100 metros quadrados, bem como habitou o Auditório Vozes da Bahia, além de algumas sessões especiais no Café Literário e no Espaço Infantil. A Prefeitura Municipal de Salvador, patrocinadora máster da edição 2026, também teve seu próprio estande e uma programação dedicada tanto ao público infantil quanto para o Café Literário.
No rol de parceiros privados, está a Colgate, sob a chancela de patrocínio social. Em 2026, aprofundou a sua contribuição para a Bienal. A empresa – que já participou de edições anteriores da Bienal Bahia – deu nome à área destinada para as crianças, o "Espaço Infantil Colgate - Portais da Palavra” e apoiou o projeto de Visitação Escolar.
O TikTok, plataforma fundamental para a veiculação em massa da literatura entre os jovens, se fez presente na Bienal com um espaço de ativação e uma sessão exclusiva na Arena Farol, mediada pela jornalista e apresentadora Ana Clara. Vencedoras do concurso “Livros do Futuro”, criado pela plataforma para descobrir novos autores da literatura brasileira, as autoras Daniella Vinci, Elisa Barbosa e Giulia Cavalcanti deram mais detalhes de seus livros e de suas trajetórias literárias.
A Acelen, empresa brasileira de energia, que administra a Refinaria baiana de Mataripe, optou por levar ao evento estudantes do Colégio Evolua, de Lauro de Freitas, além de distribuir convites para a comunidade quilombola de Monte Recôncavo. A PetroRecôncavo, maior operadora independente de exploração e produção de petróleo e gás (setor E&P) onshore do Brasil, concentrou seus esforços em ações educacionais. A Bahiagás, concessionária à frente da distribuição de gás natural canalizado no estado, também integrou o seleto grupo de patrocinadores da edição 2026 da Bienal do Livro Bahia.
Entre os apoiadores, a BIC celebrou o seu vínculo histórico com o exercício da criatividade e da educação. A emblemática marca, que revolucionou a prática da escrita e do desenho, promoveu ativações com os produtos de seu portfólio, especialmente as linhas de canetas e BIC Kids, em sintonia com o espírito da Bienal. Houve distribuição de brindes.
A edição 2026 da Bienal do Livro Bahia contou ainda com o apoio institucional do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), do Salvador Shopping e do SESI (Serviço Social da Indústria). A GL events Exhibitions foi a empresa responsável pela realização do evento. Divisão da multinacional francesa GL events, a companhia organiza alguns dos principais eventos do país. Na Bienal, promove uma experiência que alia literatura, entretenimento, formação de público leitor e aproximação entre marcas e consumidores.
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