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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Obra é interditada por danos ambientais



 Obra é interditada por danos ambientais e moradores cobram preservação de área verde em Salvador



A Associação de Condôminos do Cidade Jardim (ACCJ) reforça a preocupação com os impactos ambientais causados por intervenções irregulares na região do Candeal, próxima ao loteamento Cidade Jardim, após a interdição da obra do empreendimento Reserva Cidade Jardim, determinada pelo INEMA.



A obra encontra-se paralisada desde a ação de interdição, realizada após fiscalização identificar intervenção em recursos hídricos, incluindo nascentes e cursos d’água, sem a devida autorização do órgão competente.


De acordo com a promotora de Justiça do Meio Ambiente de Salvador, Hortência Gomes Pinho, o caso envolve graves irregularidades ambientais:


> “A situação do impacto ambiental que está ocorrendo atualmente no Candeal, próximo do Cidade Jardim, corresponde à tentativa de implantação de um loteamento denominado Reserva Cidade Jardim. Esse empreendimento, que era da Villas, foi adquirido por outra empresa, e eles pretendem implantar 13 lotes, mas não observaram os cuidados ambientais devidos, a cautela ambiental, porque no local há recursos hídricos e nascentes, e há um caminho de supressão da vegetação sem considerar as áreas de APP e esses próprios recursos hídricos que estavam na iminência de aterramento.”



A promotora destaca que a ausência de autorização para intervenções foi determinante para a paralisação:


> “Em função do empreendimento não possuir autorização do poder público para intervir em recursos hídricos e, havendo a constatação em campo de que realmente havia os recursos no local da obra, inclusive uma nascente com água limpa, o INEMA promoveu a interdição da obra, e isso é muito importante porque isso vinha em um ritmo muito acelerado. Houve essa ação da COPPA e do INEMA, juntamente com o Ministério Público, querendo preservar essa última área de Mata Atlântica, área que é um pulmão de toda Brotas.”



Além dos danos ambientais, moradores alertam para impactos urbanos e de mobilidade. O síndico e morador Francisco Leitão chama atenção para o crescimento desordenado da região:


> “A nossa luta vai além das questões ambientais; tem a questão do volume de tráfego, pois estão surgindo dois empreendimentos de 34 andares, em torno de 136 apartamentos por torre, que vão está construídos daqui a um ano e meio na região. Imagine que a rua é sem saída.”



Ele também critica a proposta de acesso do novo empreendimento:


> “Além disso, agora tem esse projeto do Reserva Cidade Jardim onde serão mais de 18 torres. A notícia que nós temos é que o projeto original era com saída para o Candeal, porque dá acesso à ACM e à Ladeira da Redenção. Não faz sentido colocar a saída pelo Bambuzal do Cidade Jardim; é puro interesse comercial, mas não há condições de absorver essa quantidade de veículos, e ainda há a questão ambiental.”



Outro ponto de preocupação é o impacto social na comunidade do entorno:


> “Para além disso, a comunidade do Candeal tem um campo de futebol que será afetado também. Campo este que é um patrimônio para a comunidade; inclusive, o jogador de futebol Paulo Isidório nasceu ali e ele também está apoiando o nosso movimento.”



A Associação de Condôminos destaca que seguirá acompanhando o caso e cobrando providências para garantir a preservação ambiental, o respeito à legislação e a qualidade de vida da população.


O caso continua sob análise do Ministério Público e do INEMA.



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