RECORTES
EUA querem taxar Brasil em investigação de trabalho escravo
Foto: Kent Nishimura/AFP
O Brasil ainda digeria o relatório dos Estados Unidos atacando o Pix e recomendando uma taxação comercial de 25%, quando o governo Trump voltou à carga. No fim da noite de terça-feira, o país foi incluído numa lista de 60 países que falharam em fiscalizar a importação de produtos fabricados com trabalho forçado — análogo à escravidão —, o que pode implicar uma tarifa de 12,5% sobre as exportações brasileiras. Não está claro se seria uma cobrança adicional ou se esse percentual já está incorporado aos 25%, já que o Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) se baseou na mesma lei para os dois casos. A lista de países inclui ainda China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina, Arábia Saudita. (g1)
Assim como fez há cerca de um ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribuiu à família Bolsonaro a responsabilidade pelo provável novo tarifaço. Durante evento em Goiás, ele fez especial menção ao senador e pré-candidato do PL à Presidência Flávio Bolsonaro, que esteve com o Trump há apenas uma semana. O presidente chamou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro de “traidores da pátria” e disse que eles buscaram interferência estrangeira em assuntos internos do país. Ao comentar a recente viagem de Flávio aos Estados Unidos e seu encontro com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, Lula afirmou que a ofensiva tarifária prejudicaria não o governo, mas setores da economia brasileira, incluindo empresários, exportadores e o agronegócio. (BBC Brasil)
Em sua fala acalorada, Lula acabou cometendo uma confusão histórica sobre a Inconfidência Mineira. “Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria, que vão pedir intervenção de um país no nosso país?”, indagou o presidente. Lula se confundiu ao citar o episódio histórico, já que o executado foi Tiradentes, e não o traidor Joaquim Silvério dos Reis. A declaração provocou reação imediata da pré-campanha do senador, que pretende acionar o Supremo Tribunal Federal (STF), acusando Lula de ameaça e incitação ao crime. (Folha)
Flávio Bolsonaro diz que, dessa vez, nem ele e nem sua família trabalharam para que os Estados Unidos aplicassem um novo tarifaço contra produtos brasileiros. Como prova, sua equipe afirmou que ele encaminhou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo americano reconsidere a proposta de impor novas tarifas. (CNN Brasil)
Mas ao menos na internet, a tentativa de Flávio de se descolar da decisão americana não funcionou. Um levantamento da AtivaWeb Datalab indica que a polêmica entre Lula e os Bolsonaro mobilizou as redes sociais e gerou cerca de 15 milhões de interações até a tarde desta terça-feira. Segundo o monitoramento, 78% das manifestações analisadas tiveram teor negativo em relação a Trump e aos Bolsonaro. Outros 11,7% dos conteúdos apresentaram sentimento positivo, enquanto 10,3% foram classificados como neutros. (Folha)
Donald Trump, por sua vez, esperou o anúncio do novo tarifaço para comentar o encontro que teve com Flávio Bolsonaro. Nas redes sociais, Trump publicou uma foto com Flávio no Salão Oval da Casa Branca, sua primeira menção ao pré-candidato do PL, e escreveu: “Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil”. (Metrópoles)
E o secretário de Estado, Marco Rubio, ainda reforçou em audiência no Congresso dos EUA a percepção de que a Casa Branca vê o Brasil como um potencial adversário na região. De acordo com ele, o Brasil não integra o grupo de países considerados aliados de Washington no Hemisfério Ocidental. Ao defender a política externa do governo de Donald Trump, Rubio disse que “tirando Nicarágua, Cuba, Venezuela e, claro, Brasil” os Estados Unidos têm uma região cheia de aliados e amigos. (g1)
Flávia Tavares: “Flávio Bolsonaro foi a Washington acuado pelo escândalo Master/Dark Horse, voltou com fotos com Trump, Rubio e JD Vance e ganhou a pauta de segurança pública, com PCC e CV classificados de organizações terroristas, de brinde. No primeiro momento, vitória política. Mas a agenda americana não para aí — e agora os Estados Unidos querem taxar o Brasil em 25% e retaliar o PIX. A excursão à Casa Branca pode estar se revelando uma vitória de Pirro para o candidato da direita em 2026.” Confira a análise completa no Cá Entre Nós. (Meio)
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