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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Investigada por fraudes no IPTU de Salvador é presa



 Operação Valor Venal: investigada por fraudes no IPTU de Salvador é presa ao desembarcar de voo da Espanha


Uma mulher de 60 anos, investigada por suposta participação no esquema de fraudes no IPTU de Salvador desarticulado pela Operação Valor Venal, foi presa no sábado (19) no Aeroporto Internacional de Salvador, no momento em que desembarcava de um voo proveniente da Espanha. Ela é apontada pelas autoridades como uma das líderes do grupo responsável pela articulação das fraudes e pelas tratativas com proprietários de imóveis para revisão do IPTU.


A prisão ocorreu dois dias após a deflagração da Operação Valor Venal, realizada na quinta-feira (17) pela Polícia Civil da Bahia. Na primeira fase da ação, quatro pessoas já haviam sido presas — dois despachantes, uma consultora e uma ex-servidora com vínculo terceirizado, apontada como responsável pela execução das alterações no cadastro imobiliário da Secretaria Municipal da Fazenda (SEFAZ). Além disso, quatro servidoras da Secretaria Municipal foram afastadas das funções por determinação judicial.



Como funcionava o esquema


Segundo as investigações, o grupo atuava na alteração de informações cadastrais de imóveis no sistema da SEFAZ, modificando dados como ano de construção e outros atributos utilizados no cálculo do valor venal. As mudanças provocavam a redução do valor atribuído às propriedades e, consequentemente, do IPTU devido.


Entre dezembro de 2024 e janeiro de 2026, cerca de 700 imóveis foram beneficiados pelas alterações fraudulentas, com reduções de até 90% no valor venal. No mesmo período, a investigação identificou ocultação patrimonial superior a R$ 1,2 bilhão, considerando a diferença entre os valores reais dos imóveis e aqueles registrados no sistema após as alterações. O município de Salvador deixou de arrecadar aproximadamente R$ 20 milhões em razão das fraudes, segundo as investigações.


Defesa contesta alegação de fuga

Os advogados criminalistas Ivan Jezler Júnior e Ciro Brito, responsáveis pela defesa da investigada presa no aeroporto, contestam a versão de que a cliente estaria foragida. Segundo a defesa, a consultora viajou para a Espanha em julho, antes da deflagração da operação, para acompanhar sua mãe, de mais de 80 anos, que passou recentemente por um tratamento contra o câncer.

"A própria defesa informou às autoridades quando ela retornaria ao Brasil e se colocou à disposição para sua apresentação. Não houve tentativa de fuga. É importante que os fatos sejam esclarecidos para evitar interpretações equivocadas sobre a conduta da investigada, que vem colaborando com as investigações até a comprovação de sua inocência", afirmou o advogado Ivan Jezler Júnior.

A audiência de custódia da investigada estava prevista para terça-feira (22). A defesa acompanha os desdobramentos do caso e reforça que os esclarecimentos serão prestados às autoridades competentes.


O tamanho do prejuízo

As investigações apontam um quadro de grandes proporções: 700 imóveis beneficiados, reduções de até 90% no valor venal, ocultação patrimonial superior a R$ 1,2 bilhão e prejuízo arrecadatório de aproximadamente R$ 20 milhões ao município de Salvador. O esquema teria beneficiado majoritariamente imóveis de alto padrão, cujos proprietários buscavam reduzir o imposto devido por meio de alterações irregulares no cadastro imobiliário.


A Operação Valor Venal continua em andamento e novas prisões podem ocorrer conforme o avanço das investigações.

Por Denise Morais — Salvador Notícias

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