Vorcaro soube com antecedência que seria preso, afirma PF
Foto: Divulgação/Esfera Brasil
O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teve conhecimento com dois dias de antecedência da operação da Polícia Federal que o prenderia na noite de 17 de novembro do ano passado, aponta relatório da própria PF de que foi retirado o sigilo na noite de quinta-feira. No aplicativo notas de seu celular, Vorcaro registrou no dia 16 um questionamento a uma terceira pessoa, não identificada, se ela conhecia o juíz responsável pelas ações contra ele. Como o inquérito era sigiloso, a PF vê na indagação acesso a informações privilegiadas. Na manhã seguinte, há uma mensagem do banqueiro a seu advogado avisando que reservara um voo para os Emirados Árabes, reforçando a suspeita de que pretendia fugir. Ao longo do dia, Vorcaro manteve contatos com servidores do Banco Central, jornalistas e advogados. À noite, agentes da PF o interceptaram quando se preparava para embarcar no Aeroporto de Guarulhos. (g1)
Outra revelação do relatório tornado público foi que o ministro Dias Toffoli, primeiro relator do caso Master no STF, mandou que o BC ignorasse decisões de instâncias inferiores sobre o banco de Daniel Vorcaro. A investigação seguia na Justiça paulista até ser encontrado um envelope com o nome do deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) em um endereço ligado ao banqueiro. Toffoli acabou deixando a relatoria após virem a público suas próprias relações com Vorcaro. (Poder360)
O relatório com a movimentação de Vorcaro foi tornado público após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça retirar o sigilo sobre as investigações do caso Master, do qual é relator. A medida atendeu a uma solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin, que ressalvou a manutenção do sigilo apenas para “diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida”. Em seu despacho, Fachin afirma que as informações do caso têm relação com as mensagens trocadas entre Vorcaro e o também ministro Alexandre de Moraes, cuja situação será debatida na Corte na próxima terça-feira. (CNN Brasil)
Moraes pretende fazer na próxima segunda-feira um pronunciamento sobre sua situação na Corte, em especial após deixar a relatoria do inquérito das fake news, assumida por Fachin. Moraes havia anunciado uma manifestação para esta quinta-feira, mas decidiu adiá-la. (Estadão)
A suspensão do sigilo das investigações teria sido combinada entre Fachin e Mendonça, conta Andreia Sadi. A avaliação dos dois seria de que as informações mais importantes já haviam vazado e que o importante seria conhecer o que está relacionado a Moraes. Ao longo da quinta-feira, Fachin, recebeu ministros da Corte e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para uma série de reuniões individuais. Há uma pressão interna de ministros ligados a Moraes para que a sessão de terça-feira seja fechada ao público, mas o presidente da Corte resiste. Já a PGR defende a nulidade do relatório sobre Moraes apresentado por Mendonça. (g1)
Daniela Lima: “Na prática, o presidente do STF levantou para o colega Mendonça cortar, segundo integrantes do Supremo e de cortes superiores. O ministro Fachin tem como garantir que tudo o que está em investigação no Master veio a público? Segundo seus colegas, a resposta é não. Integrantes da esquerda correram para as redes celebrar a medida. Erraram. Feio. No saldo: Alexandre Moraes isolado no Supremo e segue a bucha para a campanha do presidente Lula, que foi afligida pela escândalo no STF. Daí para pior”. (UOL)
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