Realizada em São Félix, O Xlll FESTFIR revitaliza a tradição das Filarmônicas e suas Escolinhas de Iniciação Musical
O Décimo Terceiro Festival de Filarmônicas do Recôncavo chega à sua finalíssima neste sábado, 14 de dezembro, às 19h, na Casa da Cultura Américo Simas, em São Félix. Estão classificadas cinco filarmônicas que gravarão o CD ao vivo do festival e ganharão instrumentos musicais como prêmio. Pelo Grupo A, das que já foram campeãs em outros festivais, estão concorrendo as filarmônicas 19 de Março, de Acupe e Lyra Ceciliana, de Cachoeira. Pelo Grupo B, que teve uma quantidade recorde de inscrições, as filarmônicas estreantes Quatro de Janeiro, de Itiúba, Dois de Janeiro, de Jacobina e 19 de setembro, de Ibipeba, representante do sertão baiano. Para participar a Filarmônica deve ter uma escola de iniciação musical funcionando.
O júri, presidido pelo músico Tuzé de Abreu e composto pelo capitão Machado, regente da Banda do Exército na Bahia e pelo maestro Miguel Lima, que foi regente da Lyra dos Artista por 36 anos e hoje rege o coral da Igreja de Nossa Senhora da Purificação, em Santo Amaro, teve muita dificuldade em escolher, devido à qualidade musical das filarmônicas. A pontuação foi apertada, tanto que no Grupo B foi selecionada uma filarmônica a mais, que ganhará um trombone de vara doado por um dos patrocinadores.
Organizado pelo sociólogo Pedro Archanjo e pelo maestro Fred Dantas, com apoio cultural da Prefeitura Municipal de São Felix e da Secretaria Estadual de Cultura, o festival há 23 anos vem contribuindo para a revitalização das Filarmônicas e suas Escolinhas de iniciação Musical. O evento vem sendo realizado na Casa da Cultura Américo Simas, a dois finais de semana e o clímax acontece no próximo sábado. Durante a competição cada entidade musical executou três peças musicais características das filarmônicas, sendo obrigatório para o Grupo A, a execução do dobrado “Ararybóia” e para o grupo B o tango brasileiro “Os Bohêmios”, ambos do mestre-compositor fluminense Anacleto de Medeiros (1866-1907), homenageado nesta edição do XIII FESTFIR. As outras duas músicas são de livre escolha, desde que compostas originalmente para banda de música.
Para o maestro Fred Dantas, coordenador musical do evento, o Festival de Filarmônicas do Recôncavo se transformou num grande cenário no qual “as filarmônicas renasceram, outras estrearam e, estimulando a sadia competição, incentivou a volta ao bom gosto, tanto na escolha das músicas como na execução musical em si” . Segundo o maestro, para o Recôncavo, em particular, além de incentivar as suas centenárias corporações, o Festival contribuiu para a reabertura dos arquivos, para o renascimento de obras importantes em manuscritos musicais, “e nisso o Recôncavo não tem regiões rivais”, diz ele, pois no Recôncavo estão os arquivos musicais mais antigos e significativos.
História - O Festival de Filarmônicas do Recôncavo foi criado pelo sociólogo Pedro Archanjo, que desde 1990 realiza o FESTFIR com o maestro Fred Dantas e o apoio do Centro Cultural Dannemann. Porém, este ano a Dannemann vem passando por um processo de reestruturação, não dispondo de condições para produzir o evento. Então, os organizadores, juntamente com a Prefeitura Municipal de São Félix e a Secretaria Estadual de Cultura, assumiram a realização do FESTFIR pela sua singular importância. Segundo o prefeito Eduardo José de Macedo Júnior, a Bienal e o Festival das Filarmônicas são eventos que pertencem à cidade de São Félix, ao Recôncavo e ao estado da Bahia, “que nós não podíamos deixar de apoiar”.
Para Pedro Archanjo, “a Dannemann exerceu importante papel no processo cultural da Bahia assumindo em 1990 a produção do Festival de Filarmônicas e em 1991 a Bienal do Recôncavo, período em que a Bahia experimentou uma aprofundada crise de gestão cultural. Naquele momento o Teatro Castro Alves e o Museu de Arte Moderna da Bahia se encontravam fechados por falta de condições técnicas para funcionar não havendo editais nem outras formas de incentivo cultural oficial”. A entrada da Dannemann na gestão cultural baiana representou uma retomada da produção cultural na Bahia estimulando iniciativas governamentais.
As Filarmônicas são um significativo patrimônio cultural brasileiro que se encontrava em estado de extinção. Na primeira edição do festival, apenas seis Filarmônicas tiveram condições de participar. A maioria estava com as sedes deterioradas, sem instrumentos e seus integrantes desmotivados por falta de apoio. Hoje, retomaram e atualizaram suas origens que vem do império. Precisamente quando Dom João Vl chegou ao Brasil, em 1808 e trouxe em sua comitiva uma das bandas militares de maior prestígio da Europa, a banda da Brigada Militar Portuguesa, introduzindo no Brasil uma tradição musical existente desde o século XVI.
Porém, mais importante que a música de base militar é o papel social desenvolvido pelas Filarmônicas em suas Escolas de Iniciação Musical, que abrigam jovens e lhes ensinam, através de uma eficiente metodologia.Tradicionalmente, os integrantes das filarmônicas são pessoas da comunidade que não têm a música como profissão. As bandas do interior são constituídas pôr profissionais das mais diversas áreas: comércio, indústria e principalmente artesãos. “O que contribuiu para as Filarmônicas experimentarem um período de declínio, que coincidiu com a criação do Centro Industrial de Aratu e a industrialização do estado. Quando músicos migraram do interior a procura de trabalho, abandonando a atividade musical. O som dos trios elétricos que surgiram em Salvador em 1950 e chegam ao interior na década de 1960, também contribuiu para o processo de declínio dessas entidades musicais”, conclui Archanjo.
Programação :
Dia 14.12 – Competição Final
19h30 – Apresentação das Filarmônicas finalistas
20h30 – Premiação e solenidade de encerramento do XIII Festfir
Casa da Cultural Américo Simas - Rua Coronel João Severino da Luz Neto n.03 – CEP 44.360-000 - São Félix – BA - Tel: 75- 3438- 3721. E-mail: filarmonicas@terra.com.br.



1 comentários :
Diminuíram a criatividade, injustiçaram o esmero técnico e ignoraram a expressão de sentimentos na execução instrumental dos jovens músicos de Itiúba e seu experiente Maestro.
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