O presidente da AEA (Associação dos Engenheiros Automotivos), Antônio Megale, afirmou nesta quinta-feira (12) que o governo deveria ter anunciado antes a intenção de adiar a adoção de ABS e airbag para 100% dos carros no Brasil.
Segundo ele, a divulgação tardia de mudanças regulatórias de impacto provoca desarranjos no setor porque afeta decisões sobre orçamento e investimento das empresas.
"No mínimo a gente entende que o momento é complicado, pela proximidade do final do ano. Tenho certeza que todas as empresas estão reavaliando suas programações", afirmou o executivo, que também é diretor de assuntos governamentais da Volkswagen.
O ministro Guido Mantega anunciou ontem que o governo deve postergar a exigência dos itens de segurança para o ano que vem, como previsto em norma do Conatran (Conselho Nacional de Trânsito) de 2009.
A expectativa é que a obrigatoriedade passe por uma nova fase gradual, saindo dos atuais 60% para um nível mais alto, mas ficando abaixo dos 100% inicialmente previstos.
Embora já tenha como certa a revisão do prazo, Megale diz ser necessário aguardar a publicação da nova norma para ter mais definições. Segundo ele, só a partir daí as empresas poderão bater o martelo sobre a manutenção ou não de modelos que sairão de linha por não atender a exigência.
"Pode ser que tenha uma empresa opte por não retomar uma linha de produção [desativada]", afirmou.
KOMBI
O executivo sinalizou, contudo, que a Kombi deve continuar a ser fabricada caso a mudança seja oficializada pelo governo. O modelo estava na lista dos produtos ameaçados com a nova norma. "A Kombi é um produto único, nem a Volkswagen encontrou substituto".
Segundo a Folha apurou, a VW estuda permitir a devolução da edição de despedida da Kombi de quem já adquiriu o veículo.
Essa medida será tomada caso a adiamento da obrigatoriedade na adoção dos freios ABS (que evita o travamento da roda na hora de frenagens mais bruscas) e do airbag realmente se torne realidade.
(Folha)
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