As sanções do Ocidente sobre a economia russa,
por causa da interferência na Ucrânia, começam a fazer-se sentir e
estão a esvaziar as carteiras dos russos. Na Rússia, o rublo continua em queda e a bater mínimos históricos face ao dólar e ao euro. Com o valor do petróleo descer e a influenciar os mercados, a moeda europeia chegou a valer na quarta-feira (15) à tarde mais de 52 rublos e o dólar mais de 41.
Muitos analistas explicam a recessão russa com a queda do
valor do petróleo. Mas alguns vão mais além até que as sanções do
ocidente por causa da Ucrânia. É o caso de Maria Lipman, que aponta o
dedo às reformas do Kremlin: "Enquanto as despesas militares têm
aumentado de forma substancial, o governo russo aplicou também novos
impostos sobre os imóveis, mais taxas aos pequenos empresários e
aumentou o valor dos pagamentos pelos seguros de saúde."
A
energia é, contudo, a pedra de toque na economia russa. O
petróleo e o gás são as fontes de maior receita para o Kremlin. Esta
semana, Moscou e Pequim assinaram quase 40 novos acordos que abrangem os
setores da defesa e comerciais, mas sobretudo financeiros. Um acordo de tolerância cambial, por três anos, procura
reforçar a importância dos rublos e dos yuans nos negócios entre os dois
países. O objetivo principal é impedir a dependência do dólar e do
euro, e evitar a procura, sobretudo, da divisa americana por parte das
empresas russas.
Nas ruas de Moscou, sente-se
preocupação e há até quem já anteveja que "a comida vai ficar mais
cara". A Anna, uma moscovita deixou alertas: "A desvalorização do rublo pode levar-nos a uma crise.
Penso que vai haver menos emprego e que vão acontecer despedimentos."
O Alexander, por outro lado, vê nesta recessão
um ataque encapotado e não militar dos Estados Unidos ao "baixar o preço
do petróleo". "O que vai acontecer a seguir? Penso que isto é tudo
feito contra a Rússia, é um género de novas sanções. Só o tempo poderá
dizer o que vem a seguir", concluiu este moscovita.
Foto: Reprodução
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