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sábado, 21 de julho de 2018

Mulheres negras se reúnem em evento que marca o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha


No Teatro Jorge Amado, em Salvador, foi realizado o debate ‘Trajetórias de luta e perspectivas das mulheres negras pós-abolição’ nesta sexta-feira (20), em alusão ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, comemorado no próximo dia 25 de julho. 

Palestrante convidada, a maranhense Edna Roland, que atuou na 3ª Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia em Durban, na África do Sul, avalia que muitas conquistas já foram alcançadas, mas questiona o quanto esses avanços, ao mesmo tempo em que são fundamentais, ainda são muito pequenos. “Por um lado, as mulheres negras têm muitas vitórias para comemorar, entre os movimentos sociais, elas estão na vanguarda, são protagonistas. Ao mesmo tempo vivemos muitos problemas, expressos nos dados que mostram, por exemplo, os homicídios de mulheres negras. É preciso fortalecer as condições favoráveis e desconstruir as situações de extrema gravidade vividas no Brasil e na Bahia”, afirma.

Também palestrante, a advogada Maíra Vida integra coletivos de advocacia negra. “A mulher negra já associa dois grupos de vulnerabilidade, o gênero e o étnicorracial. Se no presente nós podemos dizer que, com muito enfrentamento e militância, chegamos a esse momento, onde ocupamos espaços de poder e conseguimos ascender para participar de sistemas excludentes, que antes nos invisibilizavam, ainda não conseguimos transitar nesse ambiente sem dor, ilesas, sem sofrimento, porque são espaços que ainda não estão ambientados com a nossa participação”.

Segundo ela, a luta das mulheres negras “é para termos uma representatividade não apenas figurativa, para que consigamos ir além dos nossos corpos, das nossas estéticas, que a diversidade se opera na linha de se pensar o direito para promover uma justiça social efetiva”.

Representante do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra, Rose Mafalda, avalia que as mulheres negras ainda enfrentam dificuldades para alcançar espaços de destaque. “No contexto baiano, a maioria das mulheres são negras. E eu acho que não somos muito bem assistidas pelo contexto do Brasil inteiro. Agora, por exemplo, vieram fazer uma novela em Salvador e não convidaram as mulheres negras para participar. Nós estamos em uma luta muito grande, em marcha, nossa luta é diária para que aconteça o empoderamento das mulheres e para que tenhamos uma visibilidade maior”. 

Presente no evento, a secretária de Promoção da Igualdade Racial, Fábya Reis, destaca que o debate é um momento de reflexão da luta das mulheres negras e das suas contribuições. “Esse encontro acontece para que a gente possa seguir avançando na agenda anti-racista e anti-sexista. A contribuição das mulheres negras é forte no campo da literatura, por exemplo, estamos sempre presentes na Flica. No serviço público nós temos presença das servidoras em cargos institucionais. Temos uma presença forte da mulher negra na academia, no comércio, nas instituições. Mas ainda temos muito que percorrer”. 

Fábya informa que toda violência ou ato de racismo deve ser denunciado. “Denúncias podem ser feitas tanto pelo 180, ou no caso de violência, no conjunto de delegacias especializadas de atendimento às mulheres, ou ainda, em caso de racismo, aqui no Centro de Referência Nelson Mandela, aqui na Pituba, no mesmo prédio onde funciona o Teatro Jorge Amado”.

25 de julho 

O Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha foi criado em 25 de julho de 1992, durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingo, República Dominicana. Estipulou-se que este dia seria o marco internacional da luta e da resistência da mulher negra. 

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