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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Santa Bárbara abre ciclo de festas de largo de Salvador

Patrimônio imaterial da Bahia, inscrito no Livro do Registro Especial dos Eventos e Celebrações do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) desde dezembro de 2008, a Festa de Santa Bárbara, padroeira do Corpo de Bombeiros e dos mercados, abre, nesta terça (4 de dezembro), o ciclo de festas religiosas e populares de Salvador.
A celebração à santa, cujo culto na Bahia data de 1641, teve alvorada com queima de fogos de artifício, às 5h, missa campal no Largo do Pelourinho, às 8h30, seguida de procissão pelo Centro Histórico. É tradição, durante a festa, a distribuição do caruru. Este ano haverá o Caruru dos Bombeiros no quartel da Praça dos Veteranos), o da Associação Cultural do Mercado de São Miguel.

Para os turistas, trata-se de um belo espetáculo, quando as ruas são enfeitadas pela presença de milhares de pessoas vestidas, portando flores ou enfeites de cor vermelha. A procissão com a imagem de Santa Bárbara, que logo após a missa, sai do Pelourinho, passa pela Rua Alfredo de Britto, Terreiro de Jesus, Catedral Basílica, Praça da Sé, Rua da Misericórdia, Ladeira da Praça, até chegar ao Quartel do Corpo de Bombeiros, na Praça dos Veteranos, onde a procissão é saudada pelo soar de sirenes e jatos de água.
O ciclo de festas populares em Salvador, no passado conhecidas como Festas de Largo, tem como ponto alto a famosa Lavagem da Igreja do Bonfim, que será realizada no dia 10 de janeiro Atualmente, as mais tradicionais, além do Bonfim, são a Festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia, padroeira da Bahia, (8 de dezembro, no Comércio, Cidade Baixa), Santa Luzia (13 de dezembro, celebrada na Igreja do Pilar, Comércio), Bom Jesus dos Navegantes (de fé católica, no 1º de janeiro, com procissão marítima pela Baía de Todos-os-Santos), Iemanjá (do culto afro, no dia 2 de fevereiro, no Rio Vermelho, também com cortejo marítimo para entrega do presente ao orixá das águas salgadas) e Itapuã (31 de janeiro, com cortejo e lavagem das escadarias da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia de Itapuã, na orla).
Tradição - Santa Bárbara teria nascido em finais do século III e morrido no início do século IV, durante o reinado de Diocleciano, em Heliópolis, na Fenícia (atual Líbano). Outra versão dá conta de que teria nascido na Nicomédia. Ao revelar à família ter adotado a crença cristã, em uma sociedade que adotava o politeísmo (adoração a diversos deuses), ela teria sido castigada pelo pai e entregue ao governante da cidade, Maximiano, que a condenou. A jovem foi torturada e decapitada e, segundo a tradição, seu algoz atingido por um raio.
No ano de 1969, a partir do pontificado do Papa Paulo VI, junto com vários outros santos dos quais não se comprovara a existência, Santa Bárbara foi retirada do Calendário Geral do Catolicismo Romano. Mesmo assim, a comissão dos festejos manteve as comemorações. Em 2002, o Papa João Paulo II deliberou recolocar Santa Bárbara no calendário.
O culto a Santa Bárbara começou, em Salvador, por volta de 1641, no morgado pertencente a Francisco Pereira do Lado e Andresa de Araújo, onde havia uma capela. Nesse mesmo lugar, séculos depois, surgiria o Mercado de Santa Bárbara, entre a antiga Rua das Princesas (atual Rua Portugal), e a subida da Ladeira da Montanha, próxima à Rua Corpo Santo. O mercado foi, em seguida, transferido para a Baixa dos Sapateiros.

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