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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Com 114 anos, Lavagem de Itapuã reúne fé e tradição

O famoso bairro cantado por Dorival Caymmi amanhece em festa nesta quinta-feira (21), durante a centenária Lavagem de Itapuã. Este é o último evento popular que antecede o Carnaval de Salvador no calendário oficial de verão. A celebração envolve o sincretismo religioso e a manifestação multicultural de moradores locais e de bairros próximos.
 
O início ocorre ainda na madrugada com o Bando Anunciador, grupo de senhores e senhoras percussionistas da comunidade que percorre diversas ruas, a partir das 2h, anunciando a festa com fogos de artifícios, cânticos e chamadas para atrair o público. Às 5h, uma alvorada de fogos marca a manhã festiva.
 
Um dos pontos altos do dia é a lavagem das escadarias da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã, situada na Praça Dorival Caymmi, que terá uma missa às 7h e depois permanecerá fechada. A primeira lavagem é feita logo após a alvorada por moradoras que mantém a tradição há mais de 30 anos. O ato termina com samba de roda e um café comunitário. Por volta das 12h, após cortejo, cerca de 200 baianas realizam a segunda lavagem com muita água de cheiro, perfumando e embelezando as escadarias da igreja.
 
É também às 12h que tem início o desfile de 22 entidades de chão, proporcionando uma tarde musical e animada por meio da apresentação de grupos artísticos, como o bloco afro Malê Debalê – que é o quarto a desfilar, a escola de samba Unidos de Itapuã, o Bloco dos Pescadores, Bloco da Ressaca, a Puxada Itapuanzeira, As Santinhas, o Bloco dos Peixes e o Samba Beleza, entre outros. A última atração deve sair às 17h15, segundo a Associação dos Moradores do bairro.
 
Demais dias – A festa ainda se estende por mais dias. Na sexta (22), atrações locais ainda se apresentam no bairro em clima de ressaca. O sábado (23) será marcado por diversas atividades náuticas esportivas e pelo Terno de Reis, manifestação cultural histórica feita por moradores, a partir das 18h. As celebrações chegam ao fim na segunda (25), com a entrega de uma oferenda a Iemanjá, a partir das 15h, e uma peixada nativa, às 18h, na sede da Associação dos Moradores de Itapuã. 
 
História – Realizada desde o século XIX, a Lavagem de Itapuã ocorria no dia 2 de fevereiro, fruto de uma devoção dos pescadores a Nossa Senhora da Purificação. A partir da década de 1930, passou a ser realizada como devoção a Nossa Senhora da Conceição de Itapuã, na quinta-feira que antecede o carnaval. Oficialmente, a festa completa 114 anos em 2019, mas, segundo o pesquisador Nelson Cadena, autor do livro ‘Festas Populares da Bahia. Fé e Folia’, o registro mais antigo do evento é de 1898, com atividades como a chegança e o quebra-potes.
 
No início havia também uma romaria de pescadores com oferenda à Iemanjá, antes mesmo da festa em reverência à orixá começar a ser realizada no Rio Vermelho. A oferenda ainda ocorre, ainda que com menor repercussão. A Lavagem de Itapuã tem uma singularidade importante: a resistência do Bando Anunciador, que segundo o pesquisador, é a única manifestação das festas populares de Salvador que se mantém por décadas.
 

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