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quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Papa teme conflito maior entre EUA e Irã

O papa Francisco afirmou nesta quinta-feira, 9, que teme um conflito em maior escala entre o Irã e os Estados Unidos e pediu diálogo entre as duas partes e maior compromisso da comunidade internacional com a paz no Oriente Médio. A mensagem fez parte de seu tradicional discurso de início de ano para o corpo diplomático, no Vaticano.

“Os sinais que chegam de toda a região são preocupantes após o aumento da tensão entre o Irã e os Estados Unidos”, disse o papa em uma longa análise sobre o que chamou de as “feridas do mundo”. “Renovo o meu apelo a todas as partes interessadas para evitar o aumento do confronto e manter a chama do diálogo e do autocontrole, com pleno respeito ao direito internacional”, reiterou.

Diante dos mais de 100 embaixadores e representantes diplomáticos credenciados no Vaticano, entre os quais o do Brasil, o pontífice novamente pediu “um compromisso mais frequente e eficaz da comunidade internacional com a paz”.

“Agora é mais urgente do que nunca, também em outras partes da região do Mediterrâneo e do Oriente Médio”, afirmou. “Estou me referindo em primeiro lugar ao manto de silêncio que tenta cobrir a guerra que destruiu a Síria durante esta década.”

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Segundo Francisco, tornou-se particularmente “urgente” encontrar soluções adequadas e abrangentes para que os sírios, exaustos pela guerra, encontrem a paz e reconstruam seu país. O pontífice aproveitou para agradecer à Jordânia e ao Líbano por terem recebido milhares de refugiados sírios. Não mencionou a Turquia, o país que ainda hoje abriga o maior contingente de expatriados do país vizinho.

“Infelizmente, além do cansaço causado pela recepção, outros fatores de incerteza econômica e política, tanto no Líbano quanto em outros Estados, estão causando tensões entre a população, comprometendo ainda mais a frágil estabilidade do Oriente Médio”, lamentou, referindo-se à atual crise libanesa.

Referindo-se precisamente à situação de refugiados e emigrantes, o papa incentivou os países europeus a “não perder o senso de solidariedade que os caracteriza há séculos, mesmo em momentos mais difíceis da história”. “O incêndio da catedral de Notre-Dame em Paris mostrou que é frágil e fácil destruir o que parece mais sólido”, observou. “Os danos sofridos por um edifício, não apenas procurado pelos católicos, mas significativo para toda a França e toda a humanidade, despertaram a questão dos valores históricos e culturais da Europa e as raízes sobre as quais se baseia.”

América Latina
Francisco também comentou sobre sua preocupação com a multiplicação das crises políticas na América Latina e lamentou as desigualdades e a corrupção endêmica na região. Referiu-se especialmente às manifestações massivas no Chile, aos protestos que resultaram na renúncia de Evo Morales, na Bolívia, ao insurgimento da população equatoriana no final do ano passado. E também à Venezuela, cuja crise se arrasta há pelo menos sete anos.

Fonte VEJA

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