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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Rotina do agente de trânsito revela atos heróicos e aborrecimentos


 Categoria comemora nesta quarta-feira (23) dia dedicado a quem trabalha para melhorar a nossa mobilidade 


Há um ano e meio um órgão do corpo humano saiu do Hospital Ana Nery, no bairro da Caixa D’água, com destino ao aeroporto de Salvador, mas os profissionais de saúde tinham o desafio de enfrentar o congestionamento e conseguir chegar a tempo para que o transporte até a unidade de saúde de destino fosse exitoso. Graças ao apoio do agente de trânsito André Luciano Almeida, de 43 anos, que foi um dos batedores (profissionais que abrem o caminho para a passagem de carros oficiais), a operação foi um sucesso. 


Esse e outros momentos permeiam as lembranças de André, que se sente honrado em exercer a profissão de agente de trânsito, cujo dia nacional é comemorado nesta quarta-feira (23). Outro momento marcante na profissão dele foi o dia em que foi acionado por um grupo de pessoas que trazia uma criança perdida na praia de São Tomé de Paripe. A criança chorava muito. Ele pegou a menor no colo e caminhou calmamente pela areia da praia para chamar atenção, até que a mãe da menina o avistou e encontrou a filha. 


Mas a rotina diária do agente de trânsito e transporte também envolve alguns percalços, a exemplo do contato com pessoas que o desrespeitam e provocam discussões. “É comum que algumas nos perguntem: ‘Você sabe com quem você está falando’? Ou que digam que são advogados, médicos. Algumas pessoas que acham que estão acima da lei, mas que, na verdade, também precisam cumprir o que determina a lei”, conta. 


André destaca a falta de educação de alguns condutores e o desrespeito como os itens que mais atrapalham o serviço do agente. “A principal mensagem que nós queremos passar é que nós somos amigos do condutor. O agente atua para preservar o maior bem dele, que é a vida. Quando estamos monitorando, empurrando um carro, tirando um animal da via, estamos fazendo com que os motoristas cheguem em casa com segurança”. 


Atualmente, André integra o Grupamento de Ações Rápidas do Trânsito (Gart) e atua em frente às escolas, prestando apoio a autoridades e fiscalizando o trânsito, conforme a demanda do dia. Segundo ele, o trabalho tornou-se mais agradável nos últimos anos diante de algumas mudanças que foram feitas. “Quando eu cheguei na Transalvador em 1999, as viaturas não tinham ar-condicionado e agora todas elas têm. A documentação era toda feita no papel e agora utilizamos aparelho eletrônico. Além disso, a estrutura e o fardamento melhoraram bastante”. 


Contingente ‒ De acordo com o titular da Superintendência de Trânsito do Salvador (Transalvador), Fabrizzio Müller, o órgão conta hoje com aproximadamente 850 agentes de trânsito e transporte, parte deles lotada na Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob). Esses profissionais trabalham durante seis horas por dia (de segunda a sexta-feira) e com plantão de 12 horas em alguns finais de semana e feriados. 


Algumas das atribuições do agente de trânsito e transporte são a fiscalização para coibir irregularidades no trânsito, ordenamento de tráfego, atuação em blitze, nas operações volta às aulas, retirada de animais da rua, apoio a eventos que necessitem de bloqueios em vias públicas e em ações de outros órgãos. 


“Essa é uma atividade essencial para um centro urbano como Salvador ou qualquer outro do mundo. Hoje a mobilidade é um dos grandes desafios da cidade e os agentes de trânsito contribuem muito para a melhoria do dia a dia da capital. Eles têm a função principal de garantir a fluidez e a segurança da via”, opina Müller. 


O gestor lembra que a Transalvador promove capacitações frequentes para os agentes e tem investido muito na estrutura do órgão, agregando tecnologias à gestão do trânsito e, portanto, às atividades dos agentes. Além disso, o município vai convocar 30 novos agentes que foram aprovados em concurso público realizado em 2019, conforme anunciou hoje o prefeito ACM Neto, aumentando o efetivo do órgão de trãnsito. 


“Hoje nós temos uma gestão inteligente do trânsito. Eu diria que as nossas ferramentas se equiparam a de qualquer grande centro urbano do mundo. Nós temos uma central de monitoramento e de operações, ou seja, hoje estamos muito bem equipados. Fomos a primeira cidade do Brasil a usar as câmeras corporais (body cams) para legitimar o trabalho dos agentes durante as abordagens e fiscalizações. A parte de lavrar autos de infração é digital e temos aplicativos para que o cidadão nos encaminhe demandas. Tudo isso contribui para a gestão eficiente do trânsito”, conclui Fabrizzio Müller.


Fotos: Jefferson Peixoto/Secom 



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