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domingo, 21 de março de 2021

Um doce para celebrar o dia de São José


 Doce sazonal, a zeppola tem seu elaboração concentrada no mês de março e o dia 19 seu ápice, quando se comemora São José. O doce de origem napolitana extrapolou os limites da Campânia e é apreciado também na Apúlia e na Sicília. Confira o texto que publiquei originalmente em março de 2005 na Gazeta Mercantil:


Nas ruas de Nápoles, 19 de março é um dia muito especial. Celebra-se o glorioso São José, carpinteiro de alma nobre que aceitou casar-se com a Virgem Maria, mesmo sabendo que ela trazia um Filho do Divino no ventre. Rezam-se muitas missas e inúmeros festejos devotados ao santo, como em tantas cidades mundo afora. Mas na bela e caótica capital da Campânia, a comemoração religiosa confunde-se com um festejo da gula. É dia também de comer zeppola, doce irresistível. Aliás, como nunca come-se uma só, a palavra quase nunca é usada no modo singular, mas no plural: zeppole.


Com um formato que faz lembrar um doughnut, as zeppole são fritas com precisão para que fiquem douradas por fora e uma massa quase etérea por dentro. Os recheios e coberturas podem variar.


Na receita clássica napolitana, originalmente levava apenas uma calda de mel. Depois, passou a ser enriquecida com um creme e um toque de amarena, que em outros locais é substituída pela cereja comum, em geral, ao marasquino.


Como registra Jeanne Francesconi, em seu belo livro de receitas “La Cucina Napoletana”: “Todas as doçarias e as lojas de ‘friggitorie’ (lojas e barracas de guloseimas fritas) transbordam de zeppole e vendem quantidades inverossímeis: comer zeppole no dia 19 de março é outra daquelas tradições que devem ser seguidas e, apesar do volume, todo bom cidadão come duas, três, quatro”.


Aliás, na década de 60 quando do lançamento do livro, bancas de ambulantes inundavam as ruas e dispunham-se enfileiradas sobre as calçadas para também oferecer a gostosura.


Não se sabe quem ao certo inventou a zeppola. A receita é uma antiga tradição de longa data. Mas o homem que resolveu colocar uma frigideira na calçada para atiçar o apetite dos transeuntes que iam à igreja para fazer suas preces a São José era um famoso confeiteiro. No já distante ano de 1840, Pasquale Pintauro resolveu usar do artifício. E obteve sucesso absoluto.


Nesses mais de 150 anos, a receita se aprimorou. No Brasil, as versões existentes foram trazidas na bagagem e na memória dos italianos do sul, imigrantes que adotaram uma nova pátria.


Em São Paulo, o doce é encontrado o ano todo na tradicional Di Cunto, com sede na Mooca. Servido desde a década de 1950, ganha as vitrines o ano inteiro. Como no clássico napolitano, a massa frita. Em seguida, banhada em calda de laranjeira e salpicada de castanha de caju. Vendida em versão individual (7 reais) e grande (13 reais).


Em vez de frita, a massa, no estilo de uma carolina, é assada. Depois de fria, ganha recheio e cobertura de creme de confeiteiro aromatizado com fava de baunilha. Para finalizar, recebe cereja amarena na cobertura. É expedida em versão individual de 70 gramas (12,70 reais) e para partilhar (a melhor), de 410 gramas (59 reais).

Arnaldo Lorençato


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