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quarta-feira, 14 de abril de 2021

Natação: movimento pela saúde e qualidade de vida


 Aos 48 anos, o paratleta Fábio Rigueira conta como a natação o inspirou a fazer da atividade física um projeto de vida e incentiva a prática da modalidade 


Batimento de pernas alternado, respiração lateral, braçadas precisas. Dentro d’água, os exercícios coordenados, fluidos, que permitem, ao mesmo tempo, a flutuação, a propulsão e o mergulho ganham forma que não é de ver, mas de sentir. E se o movimento, no meio líquido, favorece o fortalecimento muscular, o aumento da capacidade respiratória, melhora o condicionamento físico e reduz o impacto sobre as articulações, do lado de fora da piscina, o que ele inspira? 


Fábio Rigueira é soteropolitano, amante de práticas esportivas e perdeu a perna esquerda aos 9 anos devido a um câncer ósseo. Ainda na fase de tratamento, com metástases no pulmão direito, teve 2/3 do órgão comprometido e hoje, aos 48 anos de idade, é Ironman; bateu a prova mais visada do Triathlon, em Florianópolis, e recebeu convite para o Campeonato Mundial no Havaí, mas a história toda de relação com as modalidades esportivas começou quando, na capital baiana, ainda menino, foi incentivado pelo tio e ingressou na modalidade que – ele ainda não sabia – o faria conquistar espaços ainda maiores dentro do esporte: a natação. 


“Meu tio era triatleta. Ele sabia que eu tinha apenas um pulmão e que isso ajudaria na minha parte cardíaca, respiratória. O sonho dele era me ver como um competidor assim como ele foi. Mas eu tinha uma grande fobia com o óculos. Para não contrariar, sem tentativa, os muitos convites que ele fez, topei fazer um teste, sem compromisso”, conta Fábio Rigueira, que é agora também estudante de Educação Física da Universidade Salvador (UNIFACS). O teste, na época, “não vingou”. “Já estava decido que não ia fazer aquele negócio mais nunca na minha vida, só que aquilo ficou dentro de mim”, relembra. 


O que ficou dentro dele fez com que tentasse de novo. E o nado iniciado com uma certa resistência virou hábito, depois conquista e movimento, com resultados em superação, satisfação, projeção para o futuro e ganhos permanentes para a saúde. 


“Eu percebia que minha respiração havia melhorado bastante. Você percebe quando seu corpo está tranquilo e ao mesmo tempo muito ativo. Me sentia super bem. A gente começou a perceber que aquilo não só me colocava como atleta para a sociedade, mas trazia benefícios para a minha saúde”, afirma Fábio Rigueira.  


Benefícios para a saúde 


A sensação de bem-estar não é circunstancial. Professora da UNIFACS e especialista em Natação e Atividades Aquáticas, Lygia Bahia explica que a prática contínua da natação, regular e orientada, pode ser, além de prazerosa e relaxante, também uma aliada para a resistência cardiorrespiratória e muscular. “O empuxo, na água, reduz consideravelmente a pressão nas nossas articulações, na coluna vertebral”, observa Lygia Bahia.  


“Outra coisa é o fortalecimento dos músculos que participam da respiração. Porque quando a gente entra na água, a pressão hidrostática age como se estivéssemos vestindo uma malha daquela usadas para varizes. A gente não tem essa percepção, mas é como se fosse aquilo. Quando você está com o seu rosto na água, nadando, esses músculos têm um esforço extra, uma sobrecarga, para fazer toda essa troca de oxigênio. Esse movimento dentro da água fortalece a musculatura respiratória”, completa Lygia Bahia, que elenca também outros benefícios da natação, como redução da pressão arterial, melhora na flexibilidade, gasto calórico, umidade que facilita a troca gasosa e postura corporal.   


Diferencial da modalidade 


Para os amantes de atividades físicas, além das propriedades e benefícios da modalidade – aponta Lygia Bahia – a sensação de bem-estar é garantida.  “Quando você entra na água, você se sente como se fosse abraçado por ela. E essa sensação que se tem, em relação a esse aspecto físico da água, da pressão hidrostática, é bastante interessante. É uma sensação de presença, diferente de uma atividade que a gente tem, por exemplo, no ambiente terrestre. É algo acolhedor. Isso tem um aspecto subjetivo que a gente chama de memória primitiva”, ressalta a especialista, que incentiva novos adeptos. A princípio, aponta ela, “todo mundo pode chegar lá”.  


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