O São João está mais doce? Especialista alerta para o excesso de açúcar nas comidas típicas
Nutricionista explica como aproveitar os festejos juninos sem descuidar da saúde e alerta para os perigos da alta carga glicêmica nas receitas tradicionais
O aroma do milho cozido, o brilho dos amendoins caramelizados e o calor do licor são sinais inequívocos de que o São João chegou. A mesa junina brasileira, historicamente fundamentada em ingredientes naturais como o milho e o coco, tornou-se, ao longo dos anos, um cenário de alta concentração de açúcar. Entre pamonhas, canjicas, bolos de milho e bebidas açucaradas, a soma de calorias e glicose pode transformar a celebração em um desafio metabólico para o organismo.
O consumo excessivo de açúcar refinado não é apenas uma questão de calorias, mas um fator de risco para picos de insulina e processos inflamatórios. Segundo Paulo Telles, nutricionista, o alerta se faz necessário especialmente pelo acúmulo de alimentos doces ao longo de vários dias de festa.
"É comum vermos receitas que carregam no açúcar não apenas pelo sabor, mas por questões de textura e conservação. O problema é que essa carga glicêmica elevada, quando somada ao consumo frequente de bebidas alcoólicas doces ou industrializadas, pode causar picos de insulina significativos, prejudicando o controle glicêmico, principalmente em pessoas com pré-diabetes ou diabetes," explica Telles.
O desafio do equilíbrio
Além das sobremesas, o especialista chama a atenção para a invisibilidade do açúcar nas bebidas típicas. O licor, símbolo das festas no Nordeste, possui um alto teor de açúcar residual, o que potencializa os efeitos negativos quando consumido em excesso.
Para quem não abre mão das tradições, a orientação profissional foca na estratégia de compensação e escolha consciente. O nutricionista ressalta que a restrição radical raramente é sustentável durante períodos festivos, mas a moderação é inegociável.
"A recomendação não é proibir o consumo, mas praticar o equilíbrio. Optar por versões caseiras com menos adoçante, priorizar as preparações salgadas à base de milho e monitorar a frequência são estratégias fundamentais. O corpo humano não precisa de restrição severa, mas de moderação consciente para evitar que a alegria da festa termine em um desconforto metabólico," completa o especialista.
Para manter a saúde durante os festejos, o nutricionista recomenda algumas condutas práticas:
Fracione o consumo: Evite ingerir vários doces de uma só vez. A ingestão fracionada ao longo do dia ajuda o organismo a processar a glicose de forma mais gradual.
Priorize o salgado: Entre as opções de milho, dê preferência ao milho cozido ou assado, que preserva as fibras naturais e não possui adição de açúcar ou leite condensado.
Aposte na proteína: Antes de consumir doces típicos, tente incluir uma fonte de proteína ou gordura boa na refeição anterior. Isso ajuda a diminuir a velocidade de absorção do açúcar no sangue.
Atenção às bebidas: Intercale o consumo de licor ou outras bebidas alcoólicas com doses de água. A hidratação auxilia o corpo a metabolizar os componentes do álcool e o excesso de glicose.
Leia rótulos: Em caso de produtos industrializados, verifique a lista de ingredientes. O açúcar aparece sob diversos nomes, como xarope de glicose ou sacarose.
Uma dica final para o período é manter a hidratação com água entre as doses de licor ou doces, garantindo que o metabolismo tenha suporte para processar o excesso de glicose ingerido durante os festejos.

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