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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Última etapa da Mostra Devires promove ações artísticas que evidenciam a diversidade de existências

Projeto de ocupação do Goethe-Institut Salvador busca desnaturalizar conceitos sobre normalidade
 
Desta quinta-feira a sábado, 27 a 29 de setembro, o projeto “Devires” realiza sua terceira e última etapa, concluindo uma série de ações artísticas que propõem um exercício de desnaturalização das relações entre sexo, gênero, visualidade, raça e poder. O evento, que ocupa o Goethe-Institut Salvador-Bahia, em programação gratuita, apresentará mais quatro performances, uma mesa de debate, uma oficina e um show de encerramento, na perspectiva de fazer da arte instrumento de questionamento e fortalecimento mútuo, afirmando a diversidade de corpos, defendendo sua liberdade e urgindo pela dignidade de vozes silenciadas.
 
Contemplado pelo Edital de Dinamização de Espaços Culturais, com apoio financeiro do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda, “Devires” faz da sua casa o Goethe-Institut, que tem sido um dos espaços mais potentes do exercício artístico na capital baiana. O projeto teve sua primeira etapa de 12 a 17 de julho e a segunda, de 9 a 11 de agosto, chegando agora à etapa final, contabilizando então um total de 13 performances, três mesas de debate, três oficinas, uma exposição, uma festa de abertura e um show, com a participação de 24 artistas/militantes da Bahia, do Brasil e do exterior.
 
A mostra se fundamenta, essencialmente, em transgredir, transmutar e subverter qualquer ação que aprisione identidades e personalidades. Coloca em xeque as lógicas hétero e cisnormativas, o machismo, o patriarcado, o racismo, as censuras. Indivíduos na militância artística por uma cidadania mais coletiva e por uma micropolítica que possa ir penetrando, dia a dia, nas condições de autonomia, intimidade e proteção de todos e todas.
 
A curadoria de Paola Marugán e Juliana Vieira traz, portanto, o corpo para o centro do discurso, abrindo olhar para outros mundos possíveis.
 
PROGRAMAÇÃO – No dia 27 de setembro, às 20h, as atividades começam com a performance “Neblina Canibal”, de Maikon K (PR). No dia seguinte, 28 de setembro, também às 20h, Roberta Nascimento (BA) apresenta “Obra em Construção”. No sábado, 29 de setembro, o dia se inicia, às 16h, com a mesa de debate “Estar Juntas, Sentir Juntas, Construir Juntas”, reunindo Emanuelle Silva (BA), Luise Reis (BA) e Luiza Dias Flores (RS), com mediação de Viviane Vergueiro Simakawa (BA). Depois, às 19h, Maria Tuti Luisão (DF/BA) performa “Cualquiera! Cualquier cosa sobre todo en mi” e, às 20h, é a vez de SaraElton Panamby (SP/MA) com “REBENTAÇÕES: MOVIMENTO #1 dilatação (repartir)”. Para encerrar, às 21h, um show da banda Verona’s (BA). Há ainda a oficina “Território Corpo, Território Terra: oficinação feminista”, ministrada por Damiana Bregalda e Luiza Dias Flores (RS), com 15 vagas, nos dias 27 e 28, das 9h às 13h.
 
MOSTRA DEVIRES Etapa 3
Onde: Goethe-Institut Salvador-Bahia (Av. Sete de Setembro, 1809 – Corredor da Vitória)
Quando: 27 a 29 de setembro de 2018
Realização: Giro Planejamento Cultural
 
Performances
Neblina Canibal, de Maikon K (PR)
27/9, 20h Classificação indicativa: 16 anos
Uma experiência gerada no atrito corpo-palavra-público. Como acionar a linguagem, o léxico, de outras maneiras, criando novos sentidos para aquilo que tenta nos definir e apreender. Como desestabilizar o mundo através da fala, da voz, do som. Como o corpo deforma as palavras e o espaço, como as palavras transformam o corpo.
 
Obra em Construção, de Roberta Nascimento (BA)
28/9, 19h Classificação indicativa: 16 anos
Uma obra em construção. Parte dela vem dos sentimentos vividos nos últimos dois anos da vida da artista. A outra parte virá do que reverberará, dentro de si, a partir da exposição “Nosso Amor Sapatão: 10 anos de Revolução”, realizada em sua própria casa, entre agosto e setembro.
 
Cualquiera! Cualquier cosa sobre todo en mi, de Maria Tuti Luisão (DF/BA)
29/9, 19h Classificação indicativa: Livre
Um manifesto pornoterrorista que brinda o corpoprazer como poética-estética de resistências criativas frente a um sistema violentamente heteronormativo e genocida. Cristianismo, submissão, família, racismo, loucura, normalidade, controle são temas retratados.
 
REBENTAÇÕES: MOVIMENTO #1 dilatação (repartir), de SaraElton Panamby (SP/MA)
29/9, 20h Classificação indicativa: Livre
Sobre gestação, parto e cuidado a partir do movimento de descolonizar-se deslocando-se geograficamente do sudeste rumo ao norte, na geração de uma geografia própria através do compartilhamento do corpo pelas gravidezes e gravidades num corpo trans, racializado e marginalizado.
 
Oficina
Território Corpo, Território Terra: oficinação feminista, com Damiana Bregalda e Luiza Dias Flores (RS)
27/9 e 28/9, 9h às 13h 15 vagas. Inscrições no site.
A partir da noção de território-corpo, território-terra, esta oficina se propõe experimentar corpografias ou escrevivências corporais que possibilitem percorrer trajetórias e deslocar aos territórios dos outros. Como reinscrever na pele o que já nos constitui? Por quais caminhos trilho minhas resistências? Com que partes e experiências de mim eu percorro rotas ao encontro do outro? A pretensão é produzir de forma coletiva a afirmação da vida, na sua multiplicidade, e a cura como potências de resistência.
 
Mesa de debate
Estar Juntas, Sentir Juntas, Construir Juntas, com Emanuelle Silva (BA), Luise Reis (BA) e Luiza Dias Flores (RS). Mediação: Viviane Vergueiro Simakawa (BA)
29/9, 16h às 18h30 Classificação indicativa: Livre
Como construir um lugar em que compartilhar o ser, fazer e estar no mundo a partir de um diálogo horizontal nos permita crescer e ressoar juntas? Nesta mesa, a conversa será sobre corpo, enquanto território vivo e histórico de uma perspectiva cosmogónica e política, e sobre o território, enquanto acontecimento ético contra a dominação e a exploração dos recursos do planeta.
 
Show
Verona’s (BA)
29/9, 21h Classificação indicativa: Livre
Banda soteropolitana formada por quatro mulheres negras e multi-instrumentistas advindas de bairros populares da cidade. A sonoridade flerta com jazz, rock e com a malemolência musical e ancestral da Bahia em seu além-mar, inspirada no corpo feminino, na literatura, na vida diária e popular.

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