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quarta-feira, 11 de março de 2020

Campanha vai orientar população de Salvador para prevenção contra sífilis

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS), através do Setor de Acompanhamento de Infecção Sexualmente Transmissível (IST), lançou nesta terça-feira (10) a Campanha Educativa para Prevenção da Sífilis. A iniciativa, que conta com apoio do Unicef, pretende alcançar a população de Salvador com materiais educativos através de um trabalho de mídia, que envolve a exibição de vídeos e colocação de totens em locais de grande movimentação da cidade, com orientações sobre a doença.

Além disso, a ação abrange a distribuição de materiais para profissionais que atuam nas unidades de saúde do município, a fim de aprimorar o acompanhamento de pacientes diagnosticados com sífilis. O lançamento da campanha ocorreu no auditório do Centro de Cultura da Câmara de Vereadores, reunindo representantes da rede de saúde e sociedade civil. 

No evento, a coordenadora do Setor de Acompanhamento de IST, Daniela Cardoso, esclareceu que os primeiros registros da sífilis são do século XV e que a doença ainda preocupa nos dias atuais. “Falamos de uma epidemia antiga e que, hoje, percebemos ela reemergir. A sífilis é simples de controlar, embora o Brasil tenha tido mais de 158 mil casos, representando aumento de 28,3%, comparando 2019 com 2018”. 

Daniela destacou que, apesar de Salvador ocupar o 6º lugar no ranking de 100 cidades com mais casos de sífilis, a infecção acomete todo o país: “Precisamos criar estratégias para diagnóstico e tratamento. Temos mais de 140 unidades básicas de saúde na capital baiana. Dessas, 94% realiza testes rápido para sífilis. Qualquer um pode fazer. A grande questão é as pessoas chegarem ao serviço e se sentirem estimuladas a fazer o teste e o tratamento, que é simples. Com uma medicação, chamada penicilina benzatina, aplicada em injeção, o paciente faz o tratamento em três semanas”. 

Números – Desde 1992, o Brasil é signatário de compromissos internacionais para eliminação da sífilis congênita. Em 2016, a infecção, em todas as suas formas, foi declarada como um grave problema de saúde pública no Brasil, sobretudo, entre homens e nos segmentos mais jovens da população brasileira. 

Na capital baiana, segundo Boletim Epidemiológico de Sífilis, publicado pela SMS, os distritos sanitários com maiores taxas de detecção de sífilis, de 2010 a 2018, foram Centro Histórico (61,8/100 mil habitantes), Pau da Lima (43,8/ 100 mil habitantes), São Caetano/ Valéria (37,5/ 100 mil habitantes) e Liberdade (34,9 mil/ 100 mil habitantes). 

Plano – Salvador já realiza ações para combater a epidemia. As iniciativas envolvem, por exemplo, a elaboração do Plano Municipal de Enfrentamento à Sífilis, que está em fase de conclusão. “Temos um plano de 2002 que está defasado. Este, que deve entrar em vigor ainda este ano, traz um contexto atual dentro da nossa realidade, e conta com a colaboração dos profissionais de saúde e distritos sanitários”, ressaltou Daniela Cardoso. 

Entre as medidas de enfrentamento à sífilis desenvolvidas está a capacitação de 394 profissionais de saúde na rede municipal e 25 profissionais do sistema prisional sobre Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da sífilis, hepatites virais, HIV e HTLV. Além disso, a estratégia prevê a investigação dos casos de sífilis congênita em nível da Atenção Primária à Saúde; visita às maternidades para sistematizar os fluxos de investigação e seguimento dos casos de sífilis congênita e crianças expostas; criação de material educativo e ações de comunicação, dentre outras ações.



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