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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

SAMU recebe cerca de 20 mil trotes durante a pandemia



O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Salvador recebeu, desde março, quando teve início a pandemia, cerca de 20 mil trotes telefônicos, de um total de aproximadamente 200 mil chamadas. O número de ligações criminosas (o trote é enquadrado com tal no artigo 266 do Código Penal, com pena de detenção de um a três anos) foi inferior ao total do mesmo período de 2019, quando ocorreram cerca de 40 mil ligações indevidas, mas o problema ainda preocupa as autoridades de saúde do município. 


Isso porque a ligação com falso pretexto pode acarretar graves consequências, retardando o atendimento de cidadãos que estão necessitando do serviço de urgência, ampliando as chances de óbitos e de sequelas decorrentes da falta de socorro precoce. Além disso, a atitude nociva de quem passa o trote gera desperdício do dinheiro público, já que há custos no deslocamento de ambulâncias. 


Categorias - De acordo com o médico e coordenador de Urgência e Emergência de Salvador, Ivan Paiva, existem duas categorias de trotes. Uma delas é de crianças que fazem as ligações com o intuito de se divertir e são logo identificadas pelos atendentes. A outra se refere a adultos que simulam estórias que resultam em gasto de tempo de diversos profissionais que deixam de atender quem de fato precisa. Esses adultos, inclusive, estão sujeitos à prisão se forem identificados.


"Esses casos (de adultos mal intencionados) são mais danosos, mais elaborados. A pessoa liga e diz que acabou de presenciar um acidente, uma pessoa passando mal, e vai respondendo às perguntas e criando uma situação que, pelo telefone, o atendente não consegue identificar se é trote ou não. Esse chamado ocupa linha telefônica e é encaminhado para o médico, ocupando também o tempo desse profissional. Encaminhamos a ambulância e, quando chegamos ao local, percebemos que a situação não existia. Não consigo entender porque alguém tenta brincar com a vida alheia”, desabafa Paiva. 


As chamadas telefônicas efetuadas por crianças obtêm dos atendentes a mesma atenção que as realizadas por adultos, já que o pequeno pode estar tentando pedir auxílio para algum familiar. Só que, nesse caso, o trote é de fácil identificação. Como as ocorrências desse problema são, em sua maioria, ocasionadas justamente por crianças, o médico faz um alerta aos pais. 


“Pedimos aos pais para sempre estarem de olho na lista de ligações do celular dos filhos e, se a criança estiver ligando para os números 192, 193 ou 190, fazer a orientação deles de forma adequada. Muitas vezes, a criança não tem noção e acha que é uma simples brincadeira". 


 Foto: Max Haack/Secom 


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