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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Reurbanização promove mais beleza e conforto ao Curuzu


 Uma das ladeiras mais famosas de Salvador e que ganhou o mundo como símbolo de força, cultura, identidade, música e dança, a exemplo do surgimento e do desfile do bloco afro Ile Aiyê, está de cara nova e ainda mais especial para moradores, frequentadores e visitantes da Bahia, do Brasil e de outros países. A Rua do Curuzu, na região da Liberdade, foi completamente reurbanizada pela Prefeitura, com investimento de pouco mais de R$8 milhões em recursos próprios. 


A primeira mudança visível é a pavimentação da via, que ganhou piso intertravado em 1,1km até a Rua do Progresso. Foram executadas faixas elevadas com sinalização horizontal em piso tátil no pavimento para redução de velocidade como também a importância de travessias dos pedestres, dando assim conforto e segurança para o cidadão.  



Os passeios foram requalificados e ganharam meio-fio em granito e concreto lavado nas calçadas. Um novo sistema de drenagem foi implantado para acabar com os alagamentos, principalmente na parte baixa da rua, mobiliário urbano, ordenamento do estacionamento e paisagismo. 


Foram criadas áreas de lazer e instaladas iluminação em LED e dois contêineres subterrâneos para descarte de resíduos sólidos. Uma escadaria já melhora a acessibilidade dos pedestres, tendo ao lado um belo grafite feito por artistas da localidade. 


Presente no local nesta sexta-feira (6), o prefeito ACM Neto ressaltou a motivação para a realização da obra. “Sabe-se o quanto a identidade de Salvador está vinculada à cultura e à música de nossa cidade, e um dos berços da nossa música está aqui, na região da Liberdade, pela influência da cultura africana. A Prefeitura, reconhecendo a importância de tudo isso na cidade, realizou essa intervenção que ficou show de bola, realmente maravilhosa. Agradecemos à comunidade, que nos ajudou na elaboração do projeto. Quem vier aqui hoje vai encontrar um novo Curuzu que vai valorizar ainda mais a força deste povo.” 


Comunidade – A intervenção urbanística na Rua do Curuzu foi elaborada pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) em conjunto com os moradores, através de reuniões realizadas na comunidade. A execução ficou a cargo da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra), por meio da Superintendência de Obras Públicas (Sucop). A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) instalou a iluminação em LED, através da Diretoria de Iluminação Pública (Dsip), e os contêineres subterrâneos, por meio da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb). 


A reurbanização foi aprovada pela comunidade, como o presidente do Ilê Aiyê, Antônio Carlos dos Santos, o Vovô. “Ficou ótimo”, afirmou. Nascida no bairro, a dona de casa Cátia Oliveira, de 52 anos, estava encantada com o novo Curuzu. “Antes era muito desorganizado, carros em cima do passeio, pessoas tendo que andar pelo meio da rua. Agora não, ficou tudo maravilhoso, valorizou muito essa região. Os moradores estão gostando muito”, declarou. 


Símbolo – A pedido da comunidade, foi instalado um busto em referência a Apolônio Souza de Jesus Filho, o Popó, um dos fundadores do bloco Ilê Aiyê. A escultura foi produzida em fibra de vidro pela artista plástica Márcia Magno, professora da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (Ufba), sob a coordenação da Fundação Gregório de Mattos (FGM). 


Uma das grandes personalidades do bairro, Popó foi um guia turístico e promotor cultural, que lutou bastante pela afirmação das entidades negras na cidade e pela própria valorização da comunidade. Faleceu aos 40 anos, em 1992. “Há dez anos estávamos lutando por essa homenagem e hoje estamos aliviados. É só agradecer a Deus”, disse Djalma dos Santos, de 67 anos, primo de Popó. 


“Esse é um anseio da comunidade. Esse busto é referência de morador de um quilombo urbano, de um homem que ajudou a fundar um espaço político muito importante para os negros, que é o Ilê Aiyê, e representa a afetividade que Apolônio tinha com todos os moradores. Essa homenagem é como se fosse um pedacinho de cada morador”, completou a pedagoga Valdíria Lopes, de 58 anos, que também fez parte do movimento pelo busto.


 

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